Copel pode adotar uso de cartão pré-pago de energia
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) poderá lançar em breve um cartão pré-pago para venda de energia elétrica, como já existe com telefone celular e fixo. Esse é um dos projetos da Copel para reduzir custos com leituristas, fiscais e remessa de contas pelos Correios. A empresa
acredita que o cartão pré-pago pode ser a solução para muitos conflitos em aluguel de casas em balneários, por exemplo. Também pode ter amplo uso em flats, casas na zona rural e até em quiosques de feiras-livres.
A tecnologia para esses cartões foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Lactec, de Curitiba, que transferiu o conhecimento para a Procomp, de São Paulo. É uma empresa com experiência em automação bancária, que vai produzir o equipamento em escala comercial para as concessionárias de energia.
De acordo com Carlos Purin, gerente da unidade de microeletrônica do Lactec, o cartão pré-pago vai funcionar com um medidor que pode ser instalado nas dependências da residência. O cartão deve ser inserido no medidor, que faz a comunicação com a rede elétrica. A vantagem do medidor para o consumidor é quevem acompanhado de um display que avisa o volume de energia disponível. Assim, o consumidor pode controlar o seu uso de energia e programar o dia para compra de novo cartão, para recarregar o aparelho.
A tecnologia permite que em caso de o consumidor esquecer de comprar o cartão de recarga, ou não ter o dinheiro disponível no momento, terá a opção de utilizar uma recarga negativa. Quando comprar um novo cartão, poderá compensar o que usou indevidamente - explicou Purin. Essa tecnologia vem sendo desenvolvida pelo Lactec há três anos e substitui os equipamentos importados que eram considerados muito caros.
A comercialização de energia através de cartão pré-pago já deveria ter sido adotada há 5 anos, quando as Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig) e a Eletropaulo (SP) estudaram a possibilidade de lançar esse sistema. Mas na época o estudo foi paralisado porque os altos custos da tecnologia inviabilizavam a sua adoção - disse o diretor de Faturamento e Arrecadação da Cemig, Nelson Tamietti.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprova a implantação do cartão pré-pago para venda de energia, mas o lançamento precisa ser acompanhado de legislação específica. Se virar produto comercial, a normatização tem que passar pela Aneel, informou sua assessoria. Isso porque os ganhos de produtividade que o cartão gera para as concessionárias têm que ser incluídos nos cálculos dos reajustes tarifários. Os cartões certamente vão ajudar a reduzir o preço da energia elétrica - acrescentou a assessoria da Aneel.


