Curitiba - A Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEG-Araucária) não está repassando energia elétrica para o Operador Nacional do Sistema (ONS) conforme estava previsto. Inaugurada há pouco mais de um mês, a produção de energia ainda é insuficiente em decorrência de defeitos nos equipamentos instalados e o ONS não tem previsão quando vai colocar essa energia no sistema. A Copel não confirmou o defeito nos equipamentos.
A assessoria de imprensa da UEG-Araucária informou que a energia gerada até agora está sendo repassada para a Copel, acionista minoritária do empreendimento. Ocorre que a concessionária não precisaria adquirir essa energia, que é mais cara e num período em que não há ameaça de escassez de energia. Mas como os contratos estão sob a forma de ''take or paid'', que obriga o pagamento automático, a estatal paranaense estaria acumulando prejuízos com a compra de uma energia cara, estando com produção suficiente para o abastecimento. A produção de um megawatt em sistema hidrelétrico custa cerca de US$ 32,00, enquanto que numa termelétrica o valor sobe para US$ 39,00.
Já está tramitando na Justiça uma ação contra a parceria que a Copel fez com a americana El Paso e a Petrobras BR, outras acionistas da UEG Araucária. Pesa contra a concessionária paranaense o fato de ela emprestar R$ 150 milhões para a El Paso, acionista majoritária do empreendimento, com 60% das ações, construir a usina. A Copel tem 20% e a Petrobras BR, outros 20%.
O advogado Carlos Abrão Celli, autor da ação, não entende o motivo de uma acionista minoritária como a Copel que tem tantas demandas sociais a fazer no Estado pode emprestar dinheiro para uma gigante norte-americana do ramo de energia construir uma termelétrica no Paraná. Se fosse para emprestar, ela deveria construir a usina sozinha e não ficar como minoritária, argumenta o advogado.
A UEG-Araucária, inaugurada no dia 30 de setembro deste ano, tem capacidade para gerar até 480 megawatts, energia suficiente para abastecer 60% da Região Metropolitana de Curitiba ou o correspondente a 1,5 milhão de habitantes. A usina levou dois anos para ficar pronto e absorveu recursos da ordem de US$ 340 milhões. No final do empreendimento, o conselho de acionistas da Copel aprovou empréstimo de mais R$ 28 milhões para o término das obras.

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