Curitiba - A diretoria da Copel realizou ontem uma reunião com o presidente do Operador Nacional do Sistema (ONS), Mário de Melo Santos, para tentar manter o controle das operações de geração e transmissão de energia da estatal no Paraná. Uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que o controle das operações com energia do Estado sejam transferidos da Copel para o escritório da ONS em Florianópolis a partir de janeiro do ano que vem.
O ONS foi criado em 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com a atribuição de coordenar a operação de sistemas elétricos do País. Em abril deste ano, a Aneel autorizou o ONS a controlar também as operações das empresas estaduais de energia, caso da Copel.
O ONS alega que a transferência do controle das operações para Florianópolis tem por objetivo centralizar todo o processo decisório sobre geração e transmissão de energia referente à Região Sul em um único órgão. A Copel, porém, alega que a transferência pode trazer prejuízos não apenas aos consumidores como também à própria empresa.
O assessor da diretoria de geração e transmissão de energia da Copel, Robson Schieffler, destacou os riscos que a alienação do controle das operações pode trazer à estatal paranaense. ''A curto prazo, enfrentaremos uma situação em que embora o ONS esteja operando os ativos da Copel, será a empresa que responderá por esses atos. A médio prazo, a confiabilidade da Copel poderá baixar, uma vez que eventos de Florianópolis poderão repercutir no Estado. A longo prazo, a Copel perde a oportunidade de disponibilizar o know-how que tem sobre as usinas do Estado, o que pode trazer prejuízos sérios ao consumidor'', afirmou.
O presidente do ONS destacou que a transferência é uma determinação da Aneel, porém, acenou com a possibilidade de participar de outras reuniões para rediscutir o assunto.
O deputado estadual Rafael Greca (PMDB) anunciou ontem que irá manter a ação popular em trâmite na Justiça Federal contra a Aneel. ''A posição do ONS é de busca de poder e não de eficiência no serviço ao consumidor'', afirmou. A juísa Gisele Lemk deu um prazo de 60 dias para que a Aneel se manifeste.

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