Copel não teme revisão de novo governo
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terça-feira, 05 de novembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ingo Hubert, disse que não temer qualquer investigação dos contratos e parcerias que a estatal firmou com empresas da iniciativa privada desde 1998. A manifestação de Hubert vem dois dias depois de o governador eleito Roberto Requião (PMDB) prometer, através do porta-voz da equipe de transição, o vice-governador eleito Orlando Pessuti, o cancelamento e a revisão de contratos da Copel que venham a prejudicar a governabilidade do Estado.
Por meio de sua assessoria de imprensa em Curitiba, Hubert declarou que ''todos os contratos de parceria com empresas da iniciativa privada encontram-se à disposição, como sempre estiveram, das instituições legitimamente intituladas para examiná-los, quanto à sua legalidade e vantagens para o Estado''.
Para Nelton Friedrich, presidente do PDT e também presidente do Fórum Permanente Contra a Venda da Copel, entidade ainda atuante, o próximo governo tem a obrigação de investigar a fundo essas parcerias. Segundo ele, esse foi um compromisso de campanha assumido pelos dois candidatos que disputaram o segundo turno das eleições, porque a Copel, a Sanepar e a Secretaria da Fazenda, constituíram o ''centro nervoso e financeiro da estrutura de governo, após a venda do Banestado''.
Friedrich sugeriu que o governador Requião atue como ''litisconsorte'' nas ações contra as parcerias de autoria de membros do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, que ainda estão tramitando. Das mais de 100 ações judiciais que foram ajuizadas no período em que a Copel quase foi privatizada, cerca de um terço ainda está tramitando na Justiça, porque elas não encerraram com o cancelamento do leilão, como ocorreu com a maioria das ações.
Friedrich lembrou que muitos desses contratos exibem cláusulas de confidencialidade que o povo tem direito de saber quais são e o ''novo governo deve ir a fundo nesse assunto''. O presidente do PDT disse ainda que ficou satisfeito que o governador eleito vai dar continuidade aos processos iniciados pelo fórum.
Já o ex-presidente da Copel João Carlos Cascaes foi mais cauteloso na avaliação da investigação. Segundo ele, o novo governador não pode esquecer que a Copel tem ações nas bolsas de valores e todos os empreendimentos feitos em parceria com a iniciativa privada foram submetidos a análises de equipes jurídicas. Ele defende que qualquer decisão deve passar pelo Judiciário para que depois não apareçam ''enxurradas'' de processos de indenização que podem prejudicar ainda mais o Estado. ''As ações de indenização podem gerar passivos enormes que podem prejudicar as finanças do Estado'', observou.
A primeira coisa que o novo governo deve fazer, na avaliação de Cascaes, é pedir uma auditoria completa, para que os fatos não sejam julgados à distância, justifica.


