Copel não tem comprador pela 2ª vez
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quarta-feira, 07 de novembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
Pela segunda vez, o governo do Paraná suspendeu a tenta tiva de vender a Companhia Paranaense de Energia (Co pel). O leilão que seria reali zado na próxima segunda- feira, dia 12, foi suspenso on tem. As empresas e grupos pré-qualificados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não fizeram o depósito das garantias no valor de R$ 400 milhões, cujo prazo expirou ontem às 18 horas. Em nota oficial, o governo do Estado informa que fará uma ''avaliação do processo de privatização nos próximos dias''. O governo não fala em nova data para realização do leilão.
O mercado apostava que o grupo GP, administrador de fundos que havia se qualificado junto à Aneel por meio da empresa Altere Participações S/A, fizesse o depósito das garantias, que não se concretizou. Especulações de mercado davam conta que não houve composição entre o grupo GP e outros interessados para formação de consórcio. O Grupo Votorantim, a Companhia Vale do Rio Doce e a empresa belga Tractebel já haviam comunicado sua desistência do leilão.
O fracasso do leilão da Copel já era esperado pelo mercado durante toda a tarde de ontem. Analistas exibiam ceticismo em relação ao depósito das garantias diante do desestímulo do investidor em relação ao setor elétrico brasileiro. O analista Mohmed Thlah Junior, da Century Gestão de Recursos, disse que não acredita que o governo do Paraná marque outra data para o leilão.
Segundo o analista, as novas normas para o setor elétrico divulgadas ontem pela Aneel foram a ''pá de cal'' no processo de privatização da Copel e da Cesp-Paraná, de São Paulo. Os empresários estavam esperando maior abertura na regulamentação do setor, o que não houve.
A previsão é que o leilão não seja mais realizado. O advogado do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Guilherme Aminthas, disse que o governo não deve mais ter interesse em vender a estatal. Isso porque a falta de interessados mostra que o processo precisa passar por nova avaliação dos bancos que avaliaram a companhia. Em seguida, o processo deve ser submetido à nova audiência pública e consequentemente novo edital de licitação, conforme prevê a Lei de Licitações. ''Isso levaria no mínimo mais 90 dias'', afirmou.
Nos bastidores da Assembléia Legislativa, os deputados da bancada aliada e da oposição suspeitavam que não iria ocorrer o depósito das garantias. Tanto é que os representantes do primeiro escalão do governo já haviam mudado o discurso e passaram a declarar que a venda da Copel não era a única salvação para as finanças do Estado. (Colaborou Maria Duarte)


