Copel não consegue vencer concorrência em megaleilão
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sábado, 01 de dezembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
A Copel não conseguiu arrematar o leilão para construção de usinas geradoras de energia no Rio Chopim, no Paraná, e no Rio Araguaia, na divisa entre os Estados de Goiás e Mato Grosso. A estatal pleiteava a construção dessas usinas para elevar o seu potencial energético e se tornar mais competitiva no mercado para atender consumidores de outras localidades no País. O leilão foi realizado ontem na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A Copel não conseguiu equiparar o preço mínimo oferecido pelos seus concorrentes.
A principal aspiração da Copel era a construção das usinas São João e Cachoeirinha, no Rio Jordão, região Sudoeste do Estado. As duas usinas vão gerar 105 megawatts de potência. De acordo com a assessoria, a estratégia da empresa era reforçar sua atuação na geração de energia em sua área de influência que é o Paraná.
O preço mínimo para construção desse complexo foi fixado em R$ 350 mil. Houve um ágio de 357% e a concessão foi arrematada pela Enterpa Engenharia Ltda, que pagou R$ 1,6 milhão.
Na concessão da usina Couto Magalhães, no Rio Araguaia, também disputada pela Copel, houve o maior ágio já pago por uma hidrelétrica em leilões realizados pela Aneel. A disputa foi vencida pelo consórcio Ener-Rede Couto Magalhães, formado pelas Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins (Celtins) e Energia Paulista Ltda (Enerpaulo), que fez um lance de R$ 18,5 milhões. Esse valor representa um ágio de 3.089% sobre o valor mínimo de R$ 580 mil.
Na construção da usina Couto Magalhães, a Copel estava disputando individualmente e chegou a oferecer até R$ 9 milhões. Depois disso não acompanhou mais os lances.
Para o ex-presidente da Copel João Carlos Cascaes, o Paraná não terá benefícios com a construção das usinas no Rio Chopim. Segundo ele, o pagamento de royalties pela geração de energia é insignificante diante do ônus que vai sobrar para o Estado. Ele salienta que a Assembléia Legislativa deveria ficar atenta à legislação federal, que esvaziou o poder dos estados para o setor elétrico.
Cascaes explica que a empresa vencedora no leilão para a construção das usinas no Paraná vai direcionar a energia para os Estados da região Sudeste, onde estão os grandes consumidores. O ICMS sobre a energia será recolhido nesses Estados.


