Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) teve um lucro líquido de R$ 89,7 milhões no primeiro trimestre de 2004, o que representa um resultado excepcional considerando que no mesmo período do ano passado a empresa teve prejuízo de R$ 15,5 milhões. De janeiro a março deste ano, a empresa registrou a saída de importantes clientes do meio industrial, mas contabilizou a expansão do fornecimento de energia no meio comercial e rural.
Para o diretor de Finanças e Relações com a Imprensa, Ronald Thadeu Ravedutti, o resultado do primeiro trimestre de 2004 reflete principalmente a retirada de parte do desconto concedido aos consumidores que mantêm os pagamentos em dia, com repasse de 15% na tarifa de energia desde o início do ano. No período, a receita operacional líquida foi de R$ 879,6 milhões, que corresponde a um aumento de 23,2% em relação ao mesmo período do nao passado.
Além disso, este ano a Copel não teve desembolso financeiro que teve no primeiro trimestre do ano passado em função da repactuação de contratos firmados na gestão anterior da empresa. A empresa reduziu o provisionamento para pagamento de energia da Companhia de Interconexão Energética (Cien) de R$ 181,3 milhões para R$ 83 milhões. Também não desembolsou R$ 70,4 milhões para compra de energia da UEG Araucária, valor que havia sido pago no primeiro trimestre do ano passado.
Com o desconto, a Copel conseguiu reduzir a inadimplência que era de R$ 187 milhões em junho de 2003 para R$ 92,1 milhões em março de 2003. Além disso, a empresa iniciou o ano com crescimento de 1,4% no fornecimento de energia. O consumo residencial de energia aumentou em 0,5%, o consumo do comércio aumentou 5% e o consumo do meio rural aumentou 6,4%. De acordo coma empresa, o bom desempenho da classe comercial deve-se à modernização do setor e implantação de novos centros comerciais. Já o aumento de consumo no meio rural reflete o bom desempenho da comercialização de soja e frango, setores que vêm criando empregos no interior, o que eleva a aquisição de eletroeletrônicos e eletrodomésticos.
Apesar do bom desempenho, analistas de mercado estão preocupados com a perda de grandes clientes do setor industrial, o que provocou a retração de 1,2% no consumo de energia pelo setor em relação ao mesmo período do ano passado. Para o analista Mohamed Talah Junior, da Century Gestão de Recursos, são justamente os grandes consumidores industriais que absorvem a energia velha, o que evitaria as sobras no Paraná, que hoje com o novo modelo energético representam prejuízo. ''Só o consumo dos demais setores não sustentam uma empresa do porte da Copel'', destacou.
De acordo com o analista, o mercado acha que a Copel está sacrificando margens de lucro para evitar a saída de mais clientes industriais. Talah Júnior acredita que o resultado do próximo trimestre pode ser afetado pela elevação do câmbio e pela dificuldade em manter esses clientes.

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