Copel lança R$ 600 milhões em papéis
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Vânia CasadoDe Curitiba 
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) pretende captar neste ano R$ 683,3 milhões em recursos, sendo R$ 500 milhões oriundos da emissão de debêntures não conversíveis em ações e R$ 183,3 milhões que serão captados através da emissão de commercial papers, papel lançado no mercado externo para captação de recursos.
A informação consta de ata da 95ª reunião ordinária do Conselho de Administração, publicada em jornal de circulação estadual. A reunião do Conselho aconteceu no dia 20 de dezembro de 2001, mas a publicação da ata só ocorreu ontem. Conforme consta na ata, a emissão de debêntures tem como justificativa a necessidade de rolagem da dívida que a Copel tem em eurobônus, no valor de US$ 150 milhões, que vence em 2 de maio de 2002.
Os eurobônus foram captados em 1997 e após cinco anos os bancos credores começam a fazer chamadas de capital.
Para ex-dirigentes que participaram de administrações anteriores da Copel, esse empréstimo que a estatal fará este ano soa estranho, se for considerar que não há previsão de nenhum investimento de grande porte por parte da empresa este ano. Além disso, nos últimos anos, a estatal vem registrando lucros sucessivos em seu faturamento. Só no ano passado, o faturamento da empresa alcançou R$ 400 milhões.
Conforme está na ata do Conselho de Administração, a captação de recursos vai compor o orçamento previsto para esse ano que vai cobrir despesas da ordem de R$ 4,44 bilhões. Ou seja, a rolagem dos empréstimos e mais a captação de debêntures vai cobrir a diferença entre a receita e despesas este ano.
A preocupação é que a Copel está buscando dinheiro para fechar o caixa, o que nunca o fez antes, avaliou um ex-dirigente que não quis se identificar. A Copel sempre fez empréstimos externos para investimentos, o que não está ocorrendo agora. O grande investimento foi feito para construção da Usina de Salto Segredo, para a qual a empresa já havia captado US$ 600 milhões com o lançamento de ações feito no mercado externo em julho de 1997.
O ex-superintendente da Copel João Carlos Cascaes também acha estranho o fato de a Copel ter reduzido despesas, ter enxugado o quadro de funcionários com a terceirização das ações e assim mesmo está dependente de recursos externos. Cascaes chama a atenção para o aumento das despesas da Fundação Copel que junto com o Serviço da Dívida devem absorver recursos da ordem de R$ 875,2 milhões este ano. A Copel estimulou as aposentadorias e o enxugamento do quadro foi transformado em passivo junto à Fundação, disse.
A Folha tentou contato com a Copel por várias vezes para falar sobre o lançamento de papéis, mas não obteve retorno.


