A capacidade de geração de energia elétrica da Copel em usinas hidrelétricas e eólicas vai aumentar 33%. As obras de ampliação das duas maiores hidrelétricas da empresa, ambas no Rio Iguaçu, foram lançadas oficialmente nesta quinta-feira (18). O evento ocorreu nas instalações da Usina de Segredo, em Reserva do Iguaçu. A outra intervenção é na Usina Foz do Areia, em Pinhão.

“É uma das maiores obras do país. Estamos falando de um investimento de R$ 5 bilhões. É segurança energética para as próximas gerações. Garantia de que o Paraná vai continuar tendo energia de qualidade, limpa, renovável e sustentável”, afirmou o governador.

As duas obras, as maiores da empresa desde os anos 1990, têm estimativa de quase 2 mil trabalhadores simultâneos no auge das atividades. A ampliação das usinas, com duas novas turbinas em cada, vai elevar a potência disponível nas duas estruturas para 5 gigawatts (GW).

Hoje, Foz do Areia e Segredo somam 2,9 GW, o que é suficiente para atender 8,3 milhões de pessoas. Com mais 2,1 GW, será possível atender mais 6 milhões de pessoas, totalizando mais de 14 milhões de usuários alcançados. “É uma quantidade de energia que poderia abastecer todo o Paraguai”, destacou o governador, se referindo apenas à potência que será ampliada.

No total do sistema, a Copel vai alcançar a marca histórica de 8,3 GW. Atualmente, a capacidade é de 6,2 GW. “Essa ampliação, além de trazer mais segurança, mais desenvolvimento, mais riqueza para o nosso Estado, também fortalece todo o sistema elétrico brasileiro”, resumiu o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero.

As licenças ambientais para as duas melhorias já foram emitidas. Na Usina Segredo, as estruturas do canteiro estão sendo instaladas e as primeiras escavações começam ainda em junho. Em Foz do Areia, as atividades preparatórias começam em julho e, em setembro, será mobilizado o canteiro de obras.

“O impacto ambiental da construção é mínimo. Essa também é uma das grandes vantagens desses projetos, porque você não mexe em reservatório, você não tem supressão vegetal. É mais uma maneira com que a Copel pode crescer, se desenvolver, mas respeitando o meio ambiente”, ressaltou Slaviero.

De acordo com o prefeito de Mangueirinha, Leandro Dorini, os efeitos positivos já são sentidos no município. “A região já vive um momento diferente um cenário de progresso. Aumentou muito a demanda, principalmente por locações de imóveis, construção de novos imóveis. Também terá essa alta demanda de empregos. Isso vai fazer a roda do comércio, a roda da indústria girar. É dinheiro que circula e fica no município.”, comentou.

Segundo ele, a cidade vai se beneficiar também por outra razão. “Temos um potencial muito grande no turismo. E essa ampliação da usina, sendo uma das dez maiores usinas do Brasil, vai ajudar também nessa questão”, complementou.

A questão econômica é um dos grandes benefícios levados às comunidades no entorno das usinas. “Nesse momento, a obra é importante pela geração de emprego para a nossa região. Somos cidades formadas, na maioria, por barrageiros, pessoas que estão trabalhando em outros estados, e que agora terão a condição de estar perto da família”, afirmou o prefeito de Reserva do Iguaçu, Vitorio Antunes de Paula.

USINA SEGREDO

Inaugurada em 1992, a Usina Segredo (Usina Governador Ney Aminthas de Barros Braga) é a segunda maior hidrelétrica da Copel em potência instalada (possui capacidade de 1.260 MW). Além de Reserva do Iguaçu, contempla ainda a cidade de Mangueirinha. Com o investimento de R$ 3,6 bilhões, vai dobrar a capacidade de gerar energia limpa e renovável (2.526 MW). Esse incremento colocará Segredo na 9ª posição entre as maiores hidrelétricas do país.

O projeto de aumento da capacidade prevê uma segunda casa de força a ser construída próximo à existente, em área que já pertence à empresa, para abrigar os novos conjuntos de turbinas e geradores. Não serão necessárias desapropriações ou alagamento de novas áreas.

Túneis escavados na década de 1980 para desviar o rio e possibilitar a construção da barragem e que depois foram inutilizados serão reativados para levar a água do reservatório já formado até as novas turbinas. Isso evitará corte de vegetação nativa e, também, a interferência na rodovia PR-459, que passa sobre a barragem.

FOZ DO AREIA

A Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto (Foz do Areia), em atividade desde 1980, é a maior hidrelétrica operada pela Copel, com 1.676 megawatts (MW) de potência instalada.

O projeto de ampliação, orçado em R$ 1,3 bilhão, prevê aumento de 50% na capacidade, para 2.536 MW. Esse projeto fará com que a usina Foz do Areia se torne a 8ª maior usina do Brasil.

A iniciativa se beneficia da planta original da estrutura, dos anos 1970, que incluiu espaço para dois poços adicionais na casa de força, hoje com quatro turbinas. Assim, a necessidade de intervenção será reduzida. Os trabalhos devem se concentrar na montagem de equipamentos, reduzindo custos e tempo de obra, que está estimado em 40 meses.

ESTRATÉGIA

Para realizar essas melhorias, a Copel teve de deixar de ser uma empresa de economia mista e se transformar em uma corporação. Isso ocorreu em 2023. Se não tivesse optado por esse movimento, a companhia teria que vender o controle de suas usinas, por força de lei federal. Livre dessa obrigação legal, a empresa renovou em 2024 as concessões das usinas Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias por mais 30 anos. Em março de 2026, após disputar o leilão federal realizado pelo Ministério das Minas e Energia para ampliação de fontes hídricas de geração de energia, garantiu o direito de ampliar as duas hidrelétricas.

(com informações da Agência Estadual de Notícias)

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