A Copel inaugurou ontem no Rio Grande do Norte sete parques eólicos, quatro no complexo de São Bento e três no Brisa Potiguar. Ao todo, eles vão gerar 169,6 megawatts. Até 2019, a companhia paranaense abrirá outros 21 parques naquele Estado. Juntos, eles poderão gerar 663,6 megawatts, 12% da capacidade total da eampresa atualmente e suficientes para abastecer dois milhões de residências. Até agora, a Copel já investiu R$ 1,3 bilhão nos empreendimentos. Ao todo serão R$ 3,5 bilhões. Com exceção do Complexo de São Miguel do Gostoso, onde a companhia entra com 49% de participação, todos os demais são 100% Copel.
Segundo o presidente da empresa, Luís Fernando Vianna, a decisão de investir em energia eólica no Nordeste foi tomada em 2013. Apesar de ser "bem longe de casa", o Rio Grande do Norte foi escolhido porque, de acordo com ele, é "onde estão os ventos mais permanentes". "É um local excelente para gerar essa energia", afirma. A empresa foi a primeira a investir em energia eólica no País. Desde 1999, mantém um parque em Palmas. Mas, no município do Sul do Paraná, o fator de capacidade de geração de energia é de 25%, contra 36% no território potiguar.
Vianna explica que a produção eólica se viabilizou recentemente no País em virtude de alguns fatores. Um deles é que a evolução tecnológica fez os custos da geração caírem. "Se fôssemos atualizar os valores dos primeiros parques brasileiros, teríamos um custo de cerca de R$ 600 (por megawatt). E hoje esse custo está em média R$ 150." O fato de o País ter passado a fabricar os equipamentos para os parques também ajudou a viabilizar a matriz. Com a nacionalização do maquinário, o Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a financiar os empreendimentos. Outro fator, segundo o presidente, é que os preços nos leilões de energia eólica também melhoraram.
Apesar de ter o maior fator de capacidade do mundo, o Brasil é apenas o 15º na lista dos países que mais geram esse tipo de energia, respondendo por apenas 1% da geração no planeta. O Plano Decenal de Expansão de Energia - PDE 2023 prevê que a capacidade eólica do País atingirá 350 gigawatts, contra 70 mil gigawatts em todo o mundo.
Mas, a matriz, considerada a mais correta do ponto de vista ambiental, tem suas limitações. "Ao contrário das hidrelétricas, que têm seus reservatórios, não é possível armazenar energia eólica. Por isso, ela não pode ser adotada como base do sistema", ressalta. Questionado se a Copel fará novos investimentos nessa área, ele diz que o momento é de cautela. "A situação do País mudou. Os custos hoje são outros. As condições de financiamento não são as mesmas."
Mesmo assim, o presidente da Copel Distribuição, Valdemir Santo Daleffre, diz que a empresa está sempre estudando novas possibilidades. Uma delas é investir em geração fotovoltaica. "Esta é uma possibilidade que ainda vamos analisar, quando vierem os leilões."
A solenidade de inauguração dos complexos potiguares foi realizada no município de João Câmara, a 80 quilômetros de Natal, e contou com a presença do governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria. O governador Beto Richa foi representado pelo secretário do Meio Ambiente, Ricardo Suavinski.

- O repórter viajou ao Rio Grande do Norte a convite da Copel

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