Copel garante usinas no Paraná
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quinta-feira, 25 de maio de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
A restrição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em financiar termoelétricas que tenham participação acionária majoritária da Petrobras não vai atrapalhar a construção das cinco usinas paranaenses, segundo o presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Ingo Hubert. Ele afirmou à Folha, nesta semana, que nem todas as termolétricas paranaenses serão construídas em sociedade com a Petrobras.
Se precisarmos, iremos buscar os recursos necessários no mercado financeiro. O dinheiro também poderá vir de grupos privados, disse. A dificuldade de financiamento via BNDES foi criada pela Resolução 2.688 do Banco Central, que estabelece regras para o contingenciamento de crédito ao setor público. Ou seja, as regras do BC foram criadas para controlar o endividamento do setor público.
O chefe do Departamento de Gás e Petróleo (Degap) do BNDES, Manoel Fernandes dos Reis, afirmou que a liberação de crédito não representa problema para as termoelétricas com participação minoritária de qualquer estatal, incluindo a Petrobras.
A resolução inviabiliza projetos em que as estatais sejam acionistas majoritários. Mas a Petrobras já disse que tem intenção de participar dos projetos apenas como sócia minoritária, lembrou Reis. Ele afirmou que o BNDES tem intenção de participar dos projetos viáveis economicamente. Temos predisposição de financiar 30% dos US$ 5 bilhões necessários para a geração de dez mil megawatts, disse. O governo federal anunciou que a necessidade é de 11 mil megawatts até 2004.
Das 49 usinas previstas no Programa Emergencial de Eletricidade, apenas os empreendedores de dez termoelétricas procuraram o BNDES para apresentar as primeiras informações. Entre elas, constam as duas de Araucária (a gás natural e resíduo asfáltico).
Quando entrarem em operação, as cinco termoelétricas do Paraná serão responsáveis por 15% da matriz energética do Estado. Não podemos esquecer que o gás vem da Cordilheira dos Andes. Não é possível alimentar energeticamente o Estado e nem o País com térmicas. Estas usinas não substituem as hidrelétricas, explicou o presidente da Copel, Ingo Hubert. Além das usinas já anunciadas, temos outros dois projetos em estudo em Pato Branco e Cascavel, que usariam gás argentino.
O gerente geral da Exploração e Produção da Petrobras na região Sul, Osvaldo Kawakami, disse que a empresa está com caixa bom neste ano e poderia arcar com os investimentos por conta própria. Segundo ele, a Petrobras será sócia do Copel em pelo menos três usinas: Pitanga, São Mateus do Sul e Araucária.


