Curitiba - A Copel fechou o ano de 2010 com lucro líquido de R$ 987,8 milhões, resultado 24,8% superior aos R$ 791,7 milhões apurados em 2009. Analistas de mercado ouvidos pela FOLHA acreditam que o faturamento está relacionado ao crescimento da economia, ao aumento na demanda por energia elétrica com a recuperação das indústrias depois da crise mundial e ao fim dos descontos nas tarifas para o consumidor final.
''O resultado está em linha com o que o mercado esperava'', disse o diretor da empresa de gestão de recursos Infinity Asset Management, André Paes. Para ele, o lucro atingido tem relação direta com a demanda por energia. O diretor da Enercons - Consultoria em Energia, Ivo Pugnaloni, disse que o aumento do lucro está relacionado ao fim dos descontos na conta de luz que marcaram boa parte do governo Requião.
O consultor financeiro Raphael Cordeiro disse que além do fim dos descontos na tarifa para o consumidor, do crescimento da economia e do aumento do consumo das indústrias, as despesas com pessoal da empresa subiram pouco no ano.
As receitas operacionais da Copel atingiram R$ 6,9 bilhões em 2010, registrando um crescimento de 10,4% sobre os R$ 6,2 bilhões de receitas no ano anterior. Esse desempenho é justificado pela elevação de 5,2% no consumo de eletricidade do mercado cativo atendido pela Companhia - que é formado por 3,76 milhões de ligações em 393 municípios -, pela extinção da política de descontos na conta de luz para consumidores adimplentes e, ainda, pelo reajuste tarifário médio de 2,46% autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a partir do dia 24 de junho.
Também merecem destaque o crescimento de 22% nas receitas provenientes dos serviços de telecomunicações, resultado da incorporação de novos clientes e do maior volume de serviços prestados aos clientes existentes; a elevação de 15,7% nas receitas de venda de gás (fornecido pela Compagas, empresa controlada pela Copel), decorrente basicamente da recuperação dos níveis de produção nas indústrias que utilizam esse energético após a crise econômica mundial de 2008; e o incremento de 8,1% na rubrica ''outras receitas operacionais'', que é justificado, principalmente, pelo maior despacho da Usina Termelétrica de Araucária durante o segundo semestre do ano - período em que houve maior solicitação de geração térmica por causa da estiagem.
Os custos e despesas operacionais cresceram 14,6% no ano que passou, fortemente impactados pelo acréscimo de 8,6% na rubrica ''energia comprada para revenda'', que sozinha representa um terço dessa conta.
O Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações), que expressa a capacidade de geração de caixa da Companhia, chegou a R$ 1,47 bilhão em 2010, montante 6,8% inferior ao do exercício anterior (R$ 1,58 bilhão). Já os ativos da Copel fecharam o ano em R$ 17,86 bilhões - cifra 9,5% superior aos R$ 16,3 bilhões registrados em 2009.
O patrimônio líquido em 2010 cresceu 7,1% comparativamente ao de 2009, evoluindo de R$ 10,52 bilhões para R$ 11,03 bilhões. O total da dívida consolidada da Copel (incluindo debêntures e outros compromissos das empresas controladas) era de R$ 1,98 bilhão no final do ano de 2010, o que representava um endividamento sobre o patrimônio líquido da ordem de 18% - seguramente um dos mais baixos entre todas as companhias de capital aberto do País.
As demonstrações contábeis da Companhia relativas ao exercício de 2010 são as primeiras elaboradas de acordo com o IFRS (International Financial Reporting Standards), um conjunto de normas que tem por objetivo padronizar internacionalmente os critérios de contabilização dos números e de apresentação dos balanços.

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