Copel faz depósito de R$ 76 milhões
Valor é menor que o anunciado porque aval dos acionistas para compra de 10% das ações negociadas só sairá no dia 25
Cláudia Lopes

Milton Dória
‘Comum acordo’Rubens Pavan e Ingo Hubert, presidentes da Sercomtel e Copel: decisões serão tomadas em conjuntoA transação entre Sercomtel e Copel (Companhia Paranaense de Energia), fechada anteontem, envolveu a negociação de 9.018.028 ações ordinárias e 4.661.972 preferenciais. A Copel está pagando R$ 13,60 por ação da Sercomtel - totalizando o negócio de R$ 186 milhões. Mas o valor depositado ontem em uma conta especial da prefeitura de Londrina - referente à compra de 45% das ações - é menor do que o divulgado durante o anúncio da efetivação do negócio, na quinta-feira, no Hotel Sumatra em Londrina. Aos invés dos R$ 166 milhões previstos como pagamento à vista, a Copel depositou R$ 76 milhões.
A diferença entre os números e os que foram divulgados pela Sercomtel anteontem deve-se ao fato de que a Copel não pagará à vista a diferença de preço de 10% das ações - R$ 21 milhões -, que embora já tenham sido negociadas e constem no contrato de compra, ainda precisam do aval dos acionistas da estatal.
Também têm que ser descontados dos R$ 145 milhões (referentes a 35% das ações), R$ 13 milhões da dívida que a prefeitura tem com a Sercomtel; R$ 17 milhões de outra dívida com a Banestado Corretora e ainda R$ 39 milhões, valor das ações caucionadas na gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida e que serão resgatadas pela Copel. O restante do pagamento - R$ 20 milhões - será depositado na conta do município no dia 15 de dezembro deste ano, atualizados pelo IGP e juros de 6% ao ano.
O presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, e o presidente da Copel, Ingo Hubert, concederam entrevista coletiva ontem de manhã. Hubert disse que a imprensa tinha se equivocado ao anunciar a compra de 45% de ações. ‘‘O que existe é a opção de compra de mais 10%’’, disse ele. Na verdade, a direção da Copel ainda precisa da autorização dos acionistas da empresa para poder concretizar a compra desses outros 10% porque só tinha aval para comprar 35%. Mas, durante o anúncio do negócio, anteontem, as empresas distribuíram folders em que divulgavam a compra de 45% das ações, como a imprensa noticiou.
Pavan explicou que a contradição nos números foi causada porque, inicialmente, a estatal iria comprar 35%, mas depois, com a evolução das negociações, ficou acertado que compraria 45%. ‘‘O número está correto. O governo do Estado já marcou uma assembléia para o próximo dia 25 para referendar a compra do restante’’, diz, considerando a assembléia uma ‘‘mera formalidade’’.
Hubert disse que não tem pressa para indicar os nomes dos representantes da Copel na telefônica - terá o direito de escolher o vice-presidente, diretor de Novos Negócios (cargo a ser criado) e dois conselheiros. Segundo ele, o economista londrinense Ismael Mologni continua na função de diretor financeiro. Na negociação para definir a participação da Copel na gestão da Sercomtel, ficou determinado que o diretor financeiro seria apontado em conjunto pelas duas empresas. ‘‘Não temos pressa. Além de não querermos posar de intrusos, em time que está ganhando não se mexe’’, disse. ‘‘Todas as decisões serão tomadas em comum acordo com a Sercomtel’’, declarou.
O ágio na compra das ações da Sercomtel pela Copel foi de cerca de 40%, valor apurado a partir dos estudos da Capitaltec, que avaliou o capital acionário da empresa entre R$ 270 milhões e R$ 310 milhões. Segundo Hubert, é a primeira vez no País que acontece a venda direta entre duas empresas públicas. ‘‘É uma transação inédita’’, disse. Pavan afirmou que, pelas consultas feitas junto ao mercado, o volume de dinheiro apurado é maior do que a operadora arrecadaria em leilão. ‘‘A sinalização que tivemos é que conseguiríamos R$ 360 milhões por 100% da empresa se fôssemos a leilão’’.

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