Copel estuda construir usina com italianos
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Marcelo AlmeidaO governador Lerner e secretários com a comitiva de empresários italianosO empresa italiana de componentes eletromecânicos Ansaldo e a Companhia Paranaense de Energia (Copel) estudam a possibilidade de investir na construção de uma termoelétrica na região Sudoeste do Estado. As negociações ainda estão em fase embrionária e a viabilização do projeto dependerá da Petrobrás fechar o acordo que trará gás natural da província argentina de Salta através de um gasoduto, que entraria no País pelo Paraná.
A primeira discussão sobre o projeto da termoelétrica aconteceu ontem no Palácio Iguaçu entre representantes da Ansaldo, o presidente da Copel, Ingo Hubert, e o prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra (PFL). A Ansaldo tem intenção de firmar um acordo comercial com a Copel e com indústrias na região Sudoeste. Já somos parceiros da Copel em algumas hidrelétricas e podemos ter negócios no Sudoeste, afirmou o vice-presidente da Ansaldo, Francesco Pergolo. A empresa brasileira da Ansaldo é a Coemsa, que tem sede no Rio Grande do Sul.
O presidente da Copel disse que a construção da termoelétrica é apenas um estudo que está atrelado à exploração de gás. Se o gás natural chegar ao Sudoeste, a presença de uma termoelétrica seria importante para usar o produto de forma constante, afirmou. Hubert disse que as indústrias usam o gás conforme picos ou quedas de produção, enquanto uma usina usa com regularidade. Hoje, há 25 mil indústria no Estado e 90% delas poderiam explorar o gás.
Com um faturamento anual de US$ 2,5 milhões, a Ansaldo já está presente na região Sudoeste através da criação do Pacto Nova Itália. O Pacto é a reunião de 47 prefeituras (42 do Sudoeste e cinco do Oeste) em torno de um macro projeto de formação de cooperativas industriais. A Ansaldo é a porta de entrada das empresas da região na Itália, afirmou o prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra.
O Pacto Nova Itália foi criado no início do ano passado pelos prefeitos. O projeto foi copiado do modelo implantado no norte da Itália, onde as indústrias se unem em cooperativas para poder conquistar um padrão de qualidade e encontrar compradores para os produtos.
O investimento para viabilizar o programa é de R$ 47,5 milhões. Este total está sendo viabilizado através de uma parceria entre os governos federal (R$ 25 milhões), estadual (R$ 2,5 milhões) e instituições financeiras italianas (R$ 20 milhões). O dinheiro é usado para financiar as pequenas e médias empresas, que estão integradas no processo. Hoje, estão em processo de formação 150 cooperativas de diversos setores da economia (açúcar mascavo, queijo, frutas). A estimativa é chegar a 600 num prazo de dez anos.


