Copel está nas mãos da Aneel
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) vem publicando esta semana, através de editais, uma série de decisões que pode comprometer o futuro da administração da empresa, que é pública. ''São muitas decisões e nenhuma satisfação à sociedade que, em último caso, paga o custo da tarifa de energia elétrica'', disse o ex-presidente da empresa João Carlos Cascaes.
Ontem, por exemplo, a empresa comunicou aos conselheiros que pode haver prejuízos à Companhia se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não aprovar, até o dia 31 de dezembro, o contrato para venda de energia da Copel às Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). E também uma solução para a Usina Termelétrica de Araucária, a UEG Araucária, cuja energia não está sendo absorvida pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão responsável pela distribuição da energia no País. A Aneel não aprovou essas operações e a Copel não pode vender a energia gerada pela termelétrica de Araucária.
A UEG Araucária consumiu investimentos da ordem de US$ 340 milhões, e até agora não obteve aprovação da Aneel. No caso da venda de energia para a Celesc, não houve aprovação da Aneel, porque a Copel tentou uma venda bilateral, com a intermediação da Tradener. E a agência reguladora entende que deveria haver licitação para a venda de energia.
Outro assunto que deveria ser melhor explicado à sociedade, na opinião de Cascaes, são as garantias que a Siemens está exigindo da Copel Geração S/A para o fornecimento de uma turbina a gás para a UEG Araucária, que custa US$ 6 milhões. E também para um contrato de manutenção das turbinas no valor de US$ 64 milhões. A UEG Araucária é uma empresa resultante da associação entre a multinacional americana El Paso, que é majoritária, a Petrobras e a Copel, com cotas idênticas. Mas o gerenciamento da empresa ficou a cargo da Copel.
Para dar suporte à essas garantias pedidas pelo fornedor, foi proposto ao Conselho de Administração, em reunião realizada no dia 4 de dezembro, o aumento do capital social da empresa de R$ 1,62 bilhão para R$ 2,9 bilhão. O aumento do capital seria integralizado com as reservas totais da empresa (capital e lucro), que somam R$ 3,42 bilhões.


