Copel entra na China em projeto gigante
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sábado, 12 de abril de 1997
Da Redação 
CONTRATOChowg Bao Sing, da Hubei Corporation, e Carlos Jorge Zimmermann, da Copel, cumprimentam-se pela assinatura do contratoO Paraná acaba de entrar para a História da China: quinta-feira, em cerimônia no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, a Copel assinou o primeiro contrato de uma empresa do setor elétrico brasileiro com a China. A companhia vai realizar os estudos de viabilidade de construção da hidrelétrica de Shuibuya para a Hubei Qingjiang Hydroeletric Development Liability Corporation (empresa hidrelétrica independente da província de Hubei), através da Hubei Technical Import and Export. A hidrelétrica terá uma barragem de 230 metros de altura e será a maior do mundo em seu tipo - enrocamento com face de concreto -, tendo capacidade para produzir 2.000 megawatts.
O contrato, no valor de US$ 800 mil, foi assinado por representantes das duas empresas na presença de autoridades diplomáticas dos dois países, entre elas o cônsul da China para assuntos de tecnologia, Gu Fengxiang. Também estavam presentes o deputado paranaense Werner Wanderer, o diretor do setor de tecnologia da Universidade Federal do Paraná, Ivo Brandt, e o secretário municipal de Obras de Curitiba, Augusto Canto Neto.
Gu Fengxiang ressaltou que o mais importante desse contrato é seu alto significado para o povo chinês. Ele foi o primeiro passo, um passo muito importante, para a cooperação entre os dois países. Com um crescimento econômico médio anual de 9,8% nos últimos dez anos, a China sente muita falta de energia elétrica e quer passar da geração termelétrica - hoje predominante - para a geração hidrelétrica. Nesse campo, a experiência do Brasil e da Copel é muito rica. Ao entrar na China, a Copel é um bandeirante nessa área.
A Copel tem como estratégia conquistar novos mercados na área de serviços. A assinatura do contrato com os chineses faz parte deste esforço, que já levou à assinatura de contratos com empresas do Brasil e do exterior e até a um acordo de cooperação tecnológica com o Ministério de Energia Elétrica da própria China, afirmou Carlos Jorge Zimmermann, superintendente de Comercialização de Consultorias e Sistemas da empresa.
Esse contrato é de nove meses, mas apenas em Shuibuya nosso horizonte de trabalho, em conjunto com os chineses, é de sete anos. É uma conquista importante do setor elétrico brasileiro, pois a estimativa é de que o mercado chinês representa hoje uma demanda de usinas que equivalem a uma Itaipu e meia, informa Lindolfo Zimmer, diretor de Operações que representou o presidente da Copel, Ingo Hubert, na assinatura do contrato.
Entusiasmado, Zimmer acredita que o entendimento com os chineses mostra que a fronteira da Copel é o mundo. Nós não temos apenas energia elétrica para vender, mas toda a experiência acumulada em 42 anos de existência. E nossos clientes estão muito além dos limites do Paraná.
O contrato foi conseguido depois que uma missão comercial da Copel visitou Hubei em maio do ano passado e demonstrou aos chineses sua capacidade tecnológica e a experiência acumulada na construção de usinas de grande porte, como Salto Osório (1.050 MW), Foz do Areia (1.676 MW), Segredo (1.260 MW) e também Salto Caxias (1.240 MW), ainda em obras. Missões chinesas vieram então ao Paraná conhecer o trabalho da Copel.


