Curitiba O ex-secretário da Fazenda Ingo Hubert não poderia ter dado baixa no pagamento de uma dívida de R$ 40 milhões que a Companhia Paranaense de Energia (Copel) fez junto ao governo estadual porque os créditos tributários utilizados pela estatal eram de uma empresa falida. Este é o entendimento da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que está investigando a atuação de Hubert que acumulava na mesma época a presidência da Copel.
Hubert, além de ter aceito como secretário o pagamento com créditos da Olvepar, que faliu em agosto de 2002, negociou, como presidente da Copel, a compra desses valores com terceiros. A afirmação é do advogado do síndico da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia. ''Qualquer negociação desse tipo é do nosso desconhecimento. Apenas o síndico pode assinar contratos envolvendo massa falida. O contrato de cessão de crédito à Copel foi assinado por terceiros e por isso não resiste a uma simples análise jurídica'', afirmou Garcia.
Garcia afirmou que foram publicados editais de falência no Paraná sobre a Olvepar, e por isso a Secretaria de Fazenda teria que ter conhecimento disso. A empresa, que é paranaense, mantém há quase 15 anos sede em Mato Grosso do Sul. Ela teve falência decretada porque não conseguiu cumprir a concordata, decretada em julho de 2000.
Segundo o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, foi dado baixa na dívida da Copel, mas o dinheiro não entrou nos caixas estaduais. Operações semelhantes da estatal podem ter gerado um rombo de R$ 80 milhões.

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