Curitiba Apesar das críticas do mercado financeiro por renegociar contratos firmados no governo anterior, o governador Roberto Requião (PMDB) foi convidado para comemorar os 50 anos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) no coração do mercado financeiro mundial: a Bolsa de Valores de Nova York. Requião e o presidente da empresa, Paulo Pimentel, acionaram na manhã de ontem o sino que marca a abertura oficial do pregão na bolsa norte-americana.
A Copel tem quase a totalidade de 15% de seu capital social, que corresponde a 42,58 bilhões de ações, custeadas na Bolsa de Nova York. A empresa paranaense está na bolsa americana desde julho de 1997, quando realizou uma emissão de papéis, captando o equivalente a R$ 503,6 milhões. Desde então, em todos os pregões as ações da Companhia têm sido negociadas, movimentando em média cerca de R$ 6,5 milhões por dia.
Segundo Requião, a homenagem foi um reconhecimento da recuperação econômico-financeira da empresa, que tem nos Estados Unidos muitos acionistas. Durante discurso proferido na solenidade, salientou que ele e Paulo Pimentel assumiram a Copel com prejuízo de R$ 320 milhões. A empresa corria sério risco de se tornar insolvente no final de 2003, salientaram. Hoje, 21 meses após a posse do governo, a empresa é superavitária. No último balanço, apresentado em setembro deste ano, apresentava um lucro líquido de R$ 297,7 milhões. Em 2003, encerrou o ano com lucro líquido de R$ 171, milhões.
Requião atribuiu a reversão do quadro negativo da empresa à renegociação de contratos, iniciativa tão criticada pelos analistas de mercado. Segundo o governador, três contratos de compra de energia colocaram a Copel à beira da insolvência. Um eles foi firmado com a empresa argentina Ciên, controlada pela espanhola Endesa. A diretoria da Copel conseguiu desdolarizar a tarifa, reduziu o volume de enegia comprada pela metade e também o prazo de vigência do contrato de 20 anos para 7 anos.
Foi renegociado também o contrato da usina de Itiquira com a empresa norte-americana Tosli Acquisitions, controlada pela NRG Energy. Reduziu o preço de compra de energia em cerca de 20%, mas a principal modificação está na essência do compromisso, ou seja, a Copel passou a ser dona da energia gerada por Itiquira. O terceiro contrato com a norte-americana El Paso ainda está em negociação. A El Paso é acionista majoritária da UEG Araucária, que ainda não entrou em operação, apesar da sócia exigir pagamentos em dólar pela compra de energia.
Em entrevista à agência de notícias Bloomberg, Requião descartou a possibilidade de subir as tarifas de energia elétrica este ano. Segundo ele, com a política de descontos para os consumidores que pagam em dia a conta de luz, foi possível reduzir a inadimplência junto à empresa pela metade. Em 2003, o atraso em contas comprometia 5,4% do faturamento e este ano caiu para 2,7% do faturamento.

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