Curitiba - A decisão de reajustar a tarifa elétrica em 2014 em patamares inferiores aos estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), repetindo assim o que ocorrera em 2013, deve provocar redução no ritmo de investimentos da Copel neste ano. A previsão da estatal paranaense é investir perto de R$ 2 bilhões no acumulado de 2014, abaixo, portanto, do valor de R$ 2,62 bilhões incluído no orçamento anual.
De acordo com o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Antonio Sergio de Souza Guetter, a Copel tem cerca de R$ 900 milhões em diferimento não incorporado ao reajuste da tarifa. A diferença entre o valor a ser investido a menor e o orçamento anual deve ser compensada, por exemplo, por uma maior receita oriunda da geração de energia da usina Araucária. No primeiro semestre do ano, a usina de Araucária teve lucro de R$ 244,8 milhões, até por operar de forma mais intensa no último ano para atender à demanda de consumo de energia.
"Acreditamos que a redução do investimento será suficiente (para compensar o diferimento)", destacou o executivo após encontro com analistas e investidores realizado em São Paulo, ontem. Além disso, a companhia mantém em curso um plano de redução de custos que prevê economia adicional de R$ 100 milhões ao ano, entre 2013 e 2015.
A Copel foi procurada pela reportagem da FOLHA para detalhar em quais setores devem ocorrer os cortes de investimentos, mas não quis se pronunciar sobre o assunto. Em entrevista, no dia 14 de agosto, o diretor presidente da Copel Distribuição, Vlademir Daleffe, tinha afirmado à reportagem que os cortes podem ocorrer principalmente em novos leilões para a compra de energia.
O presidente da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais (Apimec), Marco Antônio dos Santos Martins, disse que os investimentos no setor elétrico têm longo prazo de maturação e são vitais para o funcionamento da economia. Segundo ele, quando não acontece a recomposição total da tarifa, as empresas retardam os investimentos.
Para ele, a redução de investimentos da Copel para este ano não vai afetar o consumidor e a indústria agora, mas a longo prazo. Além disso, ele acredita que a redução de investimentos no setor elétrico deve afetar a capacidade do País de crescer a médio e longo prazos. Ele lembrou ainda que não é apenas a Copel que está retardando investimentos, mas outras empresas do setor elétrico.
O reajuste médio aplicado pela Copel neste ano foi de 24,86%, abaixo do valor de 35,05% estabelecido pela Aneel. No ano passado, o aumento já havia sido inferior ao previsto pela Aneel, de 9,55%, contra 14,61% estabelecidos previamente. Também no ano passado a Copel investiu aquém do previsto no orçamento. Os desembolsos somaram R$ 1,94 bilhão, abaixo dos R$ 2,57 bilhões projetados.
Ainda assim, a estatal paranaense elevou a projeção de distribuição de dividendos a partir de 2013, de um número médio equivalente a 35% do lucro para um patamar de 50% do lucro. Esse patamar, segundo o gerente de Relações com Investidores, Artur Felipe Fischer Pessuti, deve ser mantido neste e nos próximos anos. Já Marco Martins, da Apimec, acredita que a Copel vá manter o percentual do lucro que está distribuindo, mas ressaltou que, se o lucro for menor, os acionistas também vão receber valores menores. (Com Agência Estado)

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