Curitiba Os consumidores poderão arcar com um novo reajuste nas contas de energia elétrica ainda este mês. No mês passado, a energia elétrica paga pelos paranaenses foi reajustada em 10,96%, conforme contrato anual firmado entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O reflexo deste aumento está sendo sentido nas contas do mês de julho.
Além desse aumento, a Aneel está estudando um reajuste extraordinário para as distribuidoras de energia compensarem o desequilíbrio econômico-financeiro das empresas com a mudança nos critérios de baixa renda, determinada pelo Ministério do Apagão. O reajuste, entre 7% e 10%, está sendo reivindicado pela Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abrade) e será válido para as distribuidoras de todo o País.
A Copel ainda não sabe qual o índice de reajuste que será definido para o Paraná. De acordo com a assessoria da Copel, o reajuste extraordinário é a única forma de as empresas atenderem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), válida para todo o setor público, em que para todo o subsídio criado tem que ser apontada a fonte de recursos que vai sustentar esse subsídio.
No caso do Paraná, dos 2,2 milhões de consumidores residenciais a Copel enquadrou nos critérios de baixa renda cerca de 145 mil famílias. Essas famílias atendem aos critérios estabelecidos pela concessionária como consumo até 160 quilowatts/hora por mês, residência de até 50 metros quadrados e renda familiar de até três salários mínimos ou 0,8 salário mínimo por morador da casa.
É para compensar esse subsídio que está sendo reivindicado o reajuste extraordinário. Para o consultor em energia elétrica, Ivo Pugnaloni, esse é o tipo de administração do setor elétrico que a população pode esperar daqui para frente. ''Se o modelo de privatização prosseguir, a população vai assistir a choradeira das distribuidoras que para manter seus lucros vão bater na porta do poder público o tempo todo'', destacou.
O consultor lembra que além desses reajustes, o consumidor já está pagando os 2% de seguro-apagão embutidos na conta. Ele lamenta que aqui no Paraná nenhum grande consumidor ou entidade representativa do comércio ou da indústria tenha entrado com ações na Justiça contra o seguro-apagão, como está ocorrendo em outros Estados.
Pugnaloni disse ainda que nos oito anos de Plano Real o consumidor residencial pagou 28% de reajuste real, acima da inflação, nas tarifas de energia elétrica, em relação ao consumidor industrial e comercial. Foi o segundo maior aumento depois da telefonia fixa residencial, disse o consultor. ''Isso acontece porque o consumidor residencial é desarticulado e não conhece a força que tem'', acrescentou.

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