Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) decidiu antecipar a renovação de seu contrato de concessão de transmissão que vence em 2015, dentro das novas regras da Medida Provisória 579 do governo federal. A decisão foi aprovada na Assembleia Geral dos acionistas da empresa ontem. Na mesma reunião, a estatal decidiu não renovar a concessão de quatro usinas. O principal objetivo da MP, que cria novas regras para os contratos de concessão do setor elétrico, é reduzir as tarifas para o consumidor.
O presidente da Copel, Lindolfo Zimmer, disse que a empresa optou por adotar decisões que dessem o menor prejuízo e estas foram as alternativas que mais agregam valor à companhia. ''É saudável para a empresa e os acionistas. Não deixamos de contribuir com a MP 579 e preservamos os empregos'', destacou. Ele declarou que, caso a estatal optasse por não renovar o contrato de transmissão, teria que demitir 700 funcionários.
O contrato de concessão que terá renovação antecipada para 2013 representa 1,7 mil Km de linhas de transmissão, que correspondem a 86% do total de linhas de transmissão da empresa no Paraná. O contrato será estendido até 2042.
Zimmer disse que caso a Copel não renovasse a concessão na transmissão, teria que participar do leilão de 2015 para garantir o controle da operação dos 86% de linhas de transmissão. O presidente acredita que caso participasse do leilão as chances de conseguir ficar com estas linhas seriam ''absolutamente remotas'' devido à concorrência com empresas do setor como Furnas e Eletrosul, além de outras companhias que poderiam se candidatar.
Com a MP 579, a receita bruta da Copel na área de transmissão que hoje é de R$ 305 milhões ao ano cairá para R$ 127 milhões, o que representa uma queda de 58%. Uma das formas que o governo federal encontrou de amenizar um pouco esta situação foi publicar ontem a nova MP 591. Com esta medida, o valor da indenização pela concessão de transmissão da Copel será maior que os R$ 894 milhões previstos antes pela MP 579. A expectativa da estatal é que este valor chegue a R$ 1,334 bilhão, considerando a atualização para junho de 2015. Quem vai definir as regras de pagamento será o governo federal.
Segundo Zimmer, a Copel já trabalha com formas de compensar as perdas com a redução da receita na transmissão. Uma delas é o início da operação em dezembro da Usina Mauá (361 MW) e da Pequena Central Cavernoso 2 (19 MW). Além disso, a Copel está construindo a Usina Colíder, no Mato Grosso, e vai participar em dezembro do leilão para a construção da Usina Sinop (MT). Ainda terá mais 2 mil Km de transmissão na região de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais que vão agregar mais R$ 100 milhões por ano na receita da empresa. ''Até 2015, tudo volta ao normal'', declarou.
Outra saída para reduzir custos é um Plano de Desligamento Incentivado para funcionários que já estão aposentados e ainda continuam atuando na empresa. Até agora, segundo Zimmer, há mais de 500 pessoas inscritas, mas este número pode chegar a mil. Hoje, a empresa conta com 9,2 mil funcionários.
A renovação da concessão em transmissão também vai manter o suporte às atividades da Copel Telecom, que acaba de implantar a sua rede de fibra ótica em todos os municípios do Paraná.

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