Copel avalia necessidade de restringir investimentos com reajuste
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de julho de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Caso a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprove o pedido de reajuste de 24,86% para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), o percentual do aumento a ser diferido para o próximo ano, em junho de 2015, será de 10,1% e deve se somar aos quase 5% que foram postergados no reajuste de 2013. Na prática, isso significa que a conta do consumidor já teria um aumento de 15% no próximo ano. Mas, a aprovação disso também depende da Aneel, de fatores como a necessidade de uso de usinas termelétricas, que têm um custo mais caro que as hidrelétricas, e de outros encargos que a Copel venha a ter.
A Aneel informou que até ontem ainda não tinha recebido o pedido da Copel de 24,86%. A agência também não tinha a definição de data para analisar a solicitação da estatal, o que pode acontecer em uma reunião normal de diretoria ou em uma reunião extraordinária. A Copel fez o pedido de reajuste médio. Os percentuais que serão aplicados para o segmento residencial e de alta tensão (setor industrial) serão definidos pela Aneel.
Para chegar a um índice menor que os 35,05% que a Aneel tinha aprovado, a Copel terá que ser mais seletiva nos investimentos ou até postegar, segundo o diretor-presidente da Copel Distribuição, Vlademir Santo Daleffe. Ele disse que a ideia é não mexer muito no setor de distribuição para garantir a qualidade dos serviços ao consumidor.
Ele lembrou que, no ano passado, foram aplicados R$ 800 milhões em investimentos no setor de distribuição e, para este ano, estão previstos outros R$ 800 milhões.
Nesta semana, a Copel Distribuição foi multada pela Aneel em R$ 4,5 milhões por não ter apresentado todas as informações exigidas sobre indicadores de qualidade como duração e frequência das interrupções de fornecimento de energia aos consumidores.
Segundo informações da agência reguladora, a estatal não enviou todos os dados que foram solicitados sobre estes indicadores referentes ao ano de 2011. A empresa tinha que apresentar informações, inclusive, sobre compensações a consumidores afetados por interrupção no fornecimento de energia. "Vamos entrar na Justiça contra esta multa", declarou Daleffe.
O diretor disse que ao não aplicar o reajuste de 35,05% que tinha sido autorizado pela Aneel, a Copel vai deixar de arrecadar R$ 1 bilhão nos próximos 12 meses, que se somam aos R$ 280 milhões que já não entraram no caixa da distribuidora com o diferimento de quase 5% que não foi aplicado no ano passado.
Ele explicou que o Grupo Copel tem como "socorrer" a distribuidora que, só no primeiro trimestre deste ano, teve um prejuízo de R$ 14 milhões, enquanto o grupo fechou os primeiros três meses do ano com um lucro de R$ 583 milhões ou 46,3% maior que no ano passado. "Provalmente, a distribuidora vai continuar tendo resultado ruim. Mas, o grupo Copel é robusto e consegue absorver isso", comentou.
O aumento da Copel vai atingir 4,2 milhões de consumidores e será retroativo a 24 de junho. Segundo Daleffe, a companhia ainda não definiu se o valor retroativo será aplicado em uma única cobrança ou parcelado.


