Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) vai destinar a maior parte do lucro líquido obtido em 2006 para investimentos na própria empresa. No ano passado, a estatal obteve um lucro de R$ 1,242 bilhão. Deste total, R$ 830 milhões vão constituir uma reserva para assegurar programas de investimentos na companhia. A área de distribuição de energia deve ficar com a maior fatia do bolo. Neste setor, a Copel pretende aplicar R$ 342 milhões em ampliação de rede para atender o crescimento pela demanda de energia no Paraná, além de melhoria e reforço do sistema.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, o diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Paulo Roberto Trompczynski, e o diretor adjunto da mesma área, Elzio Batista Machado, informaram que, a Copel faz de 80 mil a 90 mil ligações de novos consumidores a cada ano no Estado todo. Portanto, os investimentos em distribuição incluem o Programa de Universalização do governo federal para ligar consumidores à rede de energia. A ligação de cada novo consumidor custa R$ 9 mil. Deste total, R$ 6 mil vem do governo federal - sendo 30% a fundo perdido e 40% em forma de empréstimo a um custo subsidiado.
Outros R$ 120 milhões serão aplicados em subestações de energia. Mais R$ 77 milhões terão como destino linhas de transmissão. Serão 170 novas linhas de transmissão e subestações. Além disso, a estatal pretende aplicar neste ano R$ 45 milhões na área de geração. Este valor inclui o início dos investimentos na Usina de Mauá, que tem previsão de ficar pronta no final de 2010 e começar a fornecer energia em janeiro de 2011.
Segundo Trompczynski, neste ano, os investimentos na usina serão pequenos e incluem projetos, preparação do local e topografia. O empreendimento é uma parceria com a Eletrosul que detém 49% de participação. A usina terá 370 megawatts de potência e 190 megawatts médios de energia assegurada (média de energia produzida em um ano). O investimento total em Mauá será de R$ 950 milhões. Ele disse que a energia de Mauá já está vendida a partir de 2011 nos contratos de longo prazo.
A Copel vai investir ainda R$ 23 milhões em telecomunicações e outros R$ 150 milhões em infra-estrutura (veículos, equipamentos de medição, de informática e reformas de edificações). Machado ressaltou que, para este ano, o total de investimentos é de R$ 767 milhões.
Do total do lucro líquido, 25% ou R$ 281 milhões serão destinados para a distribuição aos acionistas. Os acionistas vão receber R$ 123 milhões em forma de juros de capital próprio (JCP) que é dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda e representa a melhor forma de aproveitamento tributário possível. Os outros R$ 158 milhões serão distribuídos aos acionistas em forma de dividendos.
Outros R$ 58 milhões vão constituir uma reserva legal, valor equivalente a 5% do lucro líquido. Esta reserva dá integridade ao capital social. O analista de mercado, Mohamed Talah Junior, disse que a Copel precisa reservar uma boa parte do lucro para investimentos em usinas e distribuição de energia.
Capital - A Copel realizou um aumento de capital social que passou de R$ 3,875 bilhões para R$ 4,460 bilhões sem modificação do número de ações. Machado explicou que isto é possível mediante a incorporação total da reserva de retenção de lucros referente a 2004 e parte de 2005. ''Foi realizado o aumento do capital social porque foi feita uma incorporação de reserva de retenção de lucro no valor de R$ 585 milhões'', disse.
Ele explicou que esta reserva tinha sido constituída para investimentos com o objetivo de fazer frente ao programa plurianual da empresa. Com o cumprimento do programa de investimentos, a reserva perdeu a necessidade de ficar constituída para este fim e foi incorporada ao capital. ''A lei obriga, a cada vez que a reserva atingir um certo patamar, que seja incorporada ao capital ou distribuída aos acionistas'', disse.
Trompczynski destacou que o aumento do capital traz vantagens como facilidade para captar recursos, valoriza as ações, potencializa a empresa e reflete favoravelmente aos acionistas.

mockup