Copel apresenta plano de redução de custos de R$ 300 mi
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sexta-feira, 04 de outubro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia informou ao mercado ontem que apresentou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o plano de ação para o reequilíbrio financeiro e sustentabilidade econômica da área de distribuição. O planejamento da empresa prevê a redução de custos com pessoal, materiais e serviços de 6% ao ano entre 2013 e 2017. É estimada uma diminuição de R$ 300 milhões até 2015.
Depois de ter verificado um prejuízo de R$ 67 milhões no balanço do primeiro trimestre deste ano da Copel Distribuição, a Aneel pediu no início de agosto que a empresa apresentasse um plano de ação que trouxesse medidas para equilibrar as contas desta área da estatal. Segundo a Aneel, o plano foi apresentado no prazo.
Ainda em agosto, o senador Roberto Requião (PMDB) tinha divulgado através do seu site que a Copel Distribuição estaria endividada e que correria até o risco de perder a concessão caso não resolvesse esta questão financeira até 2015, data na qual vence o contrato de concessão.
O plano apresentado pela companhia mostra que a maior contribuição para o corte de gastos virá do programa de demissão voluntária de aproximadamente 1 mil empregados até 2016, sendo 600 ainda em 2013. O planejamento prevê ainda a reestruturação da Copel Distribuição que iniciou neste ano e teve a extinção de 163 postos gerenciais, equivalente a uma redução de custos de 60%. Segundo a empresa, os cortes de custos com material e serviços já resultaram em uma economia de R$ 30 milhões em 2013.
Em entrevista à Folha, o presidente da Copel, Lindolfo Zimmer, disse que a economia obtida pela empresa no primeiro semestre de 2013 foi de R$ 52 milhões comparado com o mesmo período do ano passado ou o equivalente a 6,39%.
Segundo ele, a conta fechou negativa no primeiro trimestre de 2013 porque houve necessidade do uso das termelétricas, que tem custo mais caro em relação à geração hidrelétrica e porque a companhia estava com um quadro de pessoal inchado. Outro motivo para o endividamento da Distribuição, de acordo com Zimmer, foi o empréstimo de R$ 900 milhões que a Copel Distribuição teve que fazer da Copel Holding em função dos descontos tarifários oferecidos durante a gestão de Requião. Zimmer disse que no primeiro semestre do ano, a Distribuição já apresentou um lucro de R$ 70 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com ele, outra ação que ajudou a resolver a dívida de R$ 900 milhões que a Copel Distribuição tinha com a Copel Holding foi ''resgatar'' um crédito de R$ 1,4 bilhão que a Distribuição tinha com o governo estadual. A Distribuição recebeu este crédito e passou parte para a Holding. Os R$ 500 milhões restantes serão usados em investimentos na Distribuição.
A Aneel informou que ainda vai analisar o plano da Copel, mas que não há um prazo para isso. Segundo a agência, a estatal cumpriu o prazo para a entrega do plano. ''Não se sabe se o plano apresentado pela Copel vai ser executado do jeito que foi apresentado'', disse o gestor da Inva Capital, Luiz Augusto Pacheco. Segundo ele, o plano não surpreendeu e os resultados só poderão ser avaliados após a implementação e a divulgação dos próximos balanços trimestrais da companhia.
Ontem, as ações preferenciais, as mais negociadas da empresa na Bolsa, tiveram alta de 0,52%. Para o presidente da Enercons Consultoria em Energia, Ivo Pugnaloni, cortar despesa sempre é bem visto pelo mercado. No entanto, ele acredita que o efeito no caixa da empresa só poderá ser avaliado com o tempo.


