Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) anunciou ontem um reajuste de 5,7% nas tarifas, que irá incidir nas contas de outubro, novembro e dezembro. Até setembro, as contas continuam sendo emitidas sem o reajuste. O aumento foi decidido em função da renegociação do contrato com a Companhia de Interconexão Energética (Cien), em que a Copel terá que pagar R$ 312 milhões para a empresa.
O reajuste da tarifa foi anunciado durante apresentação do balanço semestral da companhia, no final da tarde de ontem, pelo governador em exercício Orlando Pessuti e pelos diretores da Copel Gilberto Griebler e Ronald Ravedutti.
Após prejuízo de R$ 320 milhões registrado no final do ano passado, a Copel fechou o primeiro semestre de 2003 com lucro líquido de R$ 266,1 milhões. Esse resultado corresponde ao crescimento de 201,13% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o lucro da empresa foi de R$ 88,3 milhões. O resultado positivo foi atribuído ao sucesso na renegociação do contrato para compra de energia com a Cien e também pela valorização do real frente ao dólar, que reduziu os custos da empresa.
Conforme o resultado, a receita líquida da empresa aumentou 11,7% e foi para R$ 1,39 bilhão no primeiro semestre. No mesmo período do ano passado, a receita líquida da companhia foi de R$ 1,25 bilhão. O aumento da receita foi proporcionado pelo reajuste de 10,96% aplicado nas tarifas de energia elétrica desde junho do ano passado.
Em relação à valorização do real, Ravedutti disse que a Copel teve um ganho de 18% com a redução de custos, que certamente influenciaram decisivamente no resultado da companhia. Os ganhos com a renegociação dos contratos foram incluídos no balanço semestre, porque a empresa deixou de fazer os pagamentos desde o início do ano.
Inicialmente a empresa vinha fazendo os provisionamentos desses pagamentos. Mas depois, com decisões judiciais favoráveis tanto no caso da Cien como da UEG Araucária, o provisionamento foi incorporado ao resultado do semestre, explicou.
A iniciativa do governador Roberto Requião de transformar o aumento de 25% autorizado em junho último pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em descontos para quem pagar as faturas em dia, certamente vai influenciar no resultado do balanço do segundo semestre, admitiu Ravedutti. Por outro lado, ele ressaltou a preocupação de Requião com os acionistas, que, segundo Ravedutti, receberam bem o anúncio do sucesso na renegociação dos contratos.
O balanço revelou que o consumo de energia no primeiro semestre deste ano cresceu 0,7% na área de concessão da Copel. O consumo residencial cresceu pouco, cerca de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o consumo do comércio cresceu 4,6% e, na zona rural, foi de 2,8%. Por outro lado, o consumo industrial caiu 4,4% em decorrência da saída de consumidores de grande porte do mercado faturado pela Copel.

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