Curitiba A Companhia Paranaense de Energia (Copel) ainda não definiu como vai aplicar o reajuste da tarifa de energia elétrica autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ontem, o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, estava em São Paulo e só retorna a Curitiba hoje.
A diretoria e o Conselho de Administração da Copel devem se reunir para discutir o assunto, que ainda precisará do aval do governador Roberto Requião. O Governo do Estado é acionista majoritário da empresa. A assessoria de imprensa da Copel informou que a política de descontos deve permanecer mas, ainda não há uma definição de qual será o porcentual.
Na última terça-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou um aumento médio no Paraná de 5,12%. Os clientes residenciais terão redução de 12,71% nas contas, mas a tarifa sobe 1,44% para os industriais.
Na média, considerando todas as categorias de consumidores, a redução na conta seria de 3,6%.
Vale lembrar que, nos últimos 12 meses, a Copel tomou como base de cálculo os preços ''cheios'' da energia elétrica incluindo o CVA (conta de compensação de variação de valores), índice criado para ressarcir as empresas de energia pela variação de custos não gerenciáveis como o dólar e o custo de petróleo (combustível utilizado para a geração térmica). A cobrança do CVA foi autorizada pela Aneel e equivalia a 9,05% do preço-base cobrado pela Copel.
Sem considerar o CVA, o reajuste médio permitido pela Aneel seria de 5,12%, sendo 14,09% para os clientes industriais e redução de 0,99% para os residenciais. Para os consumidores industriais o reajuste é maior porque desde 2003, o governo federal vem reduzindo o subsídio cruzado que estava presente nas tabelas de energia. Durante algum tempo, os clientes industriais foram subsidiados pelos residenciais. Com isso, as residências pagavam a energia mais cara para que ela fosse mais competitiva para as indústrias.
Desde 2003, o Governo do Estado vem concedendo descontos na conta de luz para os consumidores que pagam em dia. Em julho de 2003, o desconto era de 25%, em janeiro de 2004 de 8,2%, em julho de 2004 de 12,5%, em fevereiro de 2005 de 8,2% e em agosto de 2005 caiu para 7%, porcentual que permanece até hoje.
O economista e coordenador do Centro Universitário Franciscano do Paraná (UNIFae), Gilmar Mendes Lourenço, disse que se o reajuste na energia for aplicado da maneira como a Aneel autorizou, sem descontos, vai aumentar os custos para as indústrias que não devem repassar este custo e sim comprimir a margem de lucro. Isso levaria a uma redução na capacidade de investimentos futuros. Os setores mais afetados seriam papel e celulose e siderúrgico por consumirem muita energia.
Ele destaca que a energia não tem consumo ''elástico'', ou seja, se dobrar o preço da tarifa, o consumidor não vai reduzir o consumo pela metade. Caso haja desconto, o consumidor não irá consumir a mais porque tem um padrão de consumo.
Lourenço destaca que, por um lado, o desconto ajuda a injetar dinheiro na economia e, por outro, compromete a rentabilidade da Copel. Para ele, mesmo com os descontos, a Copel fechou 2005 com um lucro de R$ 502,4 milhões porque a energia é cara.

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