Copa favoreceu deficit menor das contas externas
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sexta-feira, 25 de julho de 2014
Victor Martins e Eduardo Rodrigues<br> Agência Estado 
Brasília - O deficit nas transações correntes de junho deste ano, de US$ 3,3 bilhões, é o menor para meses de junho desde 2009, quando ficou em US$ 575 milhões, informou ontem o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha. Ele destacou que o resultado foi influenciado pela redução de 17% no deficit de viagens, ocasionada pelo aumento de 76% nas receitas com turistas estrangeiros na comparação com o junho do ano passado. "As receitas com viagens em junho (US$ 797 milhões) são o resultado mais alto da série histórica do Banco Central. O resultado decorre do fluxo de turistas estrangeiros para a Copa do Mundo", avaliou.
Segundo o economista, as receitas com viagens no primeiro semestre de 2014 (US$ 3,647 bilhões) também são recorde. O economista disse ainda que os dados parciais de julho apontam crescimento nas receitas de viagens de 50% ante julho de 2013. "O crescimento deve ser menor no total do mês porque o Mundial acabou dia 13 de julho", completou. De acordo com ele, reduções na conta de juros e na conta de lucros e dividendos também influenciaram o menor deficit em conta corrente em junho deste ano.
Rocha comentou que a entrada de US$ 3,9 bilhões em Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no País em julho foi a menor para o mês desde 2010. Ele adiantou que a entrada de IED até o dia 23 de julho soma US$ 4 bilhões. A projeção do BC para este mês é de US$ 5,2 bilhões.
O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central também adiantou a projeção do BC para deficit em transações correntes de julho: US$ 6,7 bilhões. "Caso isso ocorra, teremos a segunda redução consecutiva no deficit acumulado em 12 meses, chegando a US$ 78,9 bilhões", completou. Segundo ele, a conta de juros de julho deve ser inferior à do período anterior. Rocha passou ainda o balanço parcial da conta de viagens internacionais. Até o dia 23 de julho, as receitas foram de US$ 609 milhões, com despesas de US$ 1,648 bilhão, resultando num deficit parcial de US$ 1,039 bilhão.
De acordo com Rocha, os investimentos estrangeiros em carteira têm sido uma fonte complementar de financiamento das contas externas do País, ao lado do IED. "Em junho tivemos ingressos significativos em ações e títulos negociados no País, mas isso não se repete na parcial de julho", afirmou. Até o dia 23 de julho, houve uma saída de US$ 679 milhões na conta de ações. Em títulos de renda fixa negociados no País, a conta é negativa em US$ 10 milhões no mesmo período. "A interrupção me parece um ponto isolado, que não se traduz em nenhuma tendência para essas duas contas", avaliou.


