Marcelo AlmeidaPaixão nacionalComerciante fecha a loja no centro de Curitiba minutos antes de o Brasil estrear na Copa do Mundo: para os lojistas não adianta trabalhar porque as vendas despencamCopa do Mundo é alegria para o trabalhador brasileiro e preocupação para muitos empresários, que colocam na ponta do lápis ou na calculadora o quanto deixarão de produzir ou de ganhar enquanto durar o campeonato. Nos dias dos jogos ou pelo menos nos horários em que o Brasil está em campo, o comércio pára e as indústrias são obrigadas a dar folga aos funcionários. ‘‘Não adianta manter a loja aberta, pois as vendas despencam’’, afirmou, ontem, o vice-presidente da Lojas Riachuelo S.A, Nilton Rocha. A determinação da empresa foi fechar as 53 lojas espalhadas pelo País e deixar os quase 3,5 mil funcionários assistir com tranquilidade ao jogo Brasil e Escócia.
Na avaliação de Rocha, os volumes de produção e vendas podem ser recuperados mais tarde. ‘‘O que faz a diferença mesmo é a economia. Se ela vai bem, não há Copa do Mundo que atrapalhe as vendas, mas se a economia vai mal a gente não vende mesmo’’, resumiu o vice-presidente da Riachuelo, empresa que saiu de um processo de concordata em 1990.
A Confederação Nacional da Indústria não tem um levantamento preciso sobre a queda na atividade industrial durante os jogos da Copa, mas a entidade faz um comparativo com os feriados nacionais. No mês de abril, quando houve três feriados prolongados, as vendas da indústria para o comércio fecharam em baixa. A queda de abril sobre o mês de março foi de 5,2% e sobre abril do ano anterior, a redução foi de 1,5%. No ano passado, os feriados foram em dias pontuais, que não puderam ser ‘‘emendados’’.
A euforia nas vendas de produtos da Copa cai a zero durante os jogos. O gerente das Lojas Brasileiras de Curitiba, José Lopes, disse que a loja ficou vazia minutos antes do início da partida Brasil e Escócia. ‘‘Não havia ninguém na rua. O jeito foi fechar as portas’’, afirmou Lopes. Após o término da partida, a loja reabriu e o movimento se normalizou.
Na abertura da Copa, muitas fábricas não hesitaram em dar folga aos empregados, como foi o caso da Incepa. Outras empresas permitiram que a produção parasse por algumas horas como aconteceu ontem na Electrolux e no Boticário. Os empresários sabem que a produção pode até cair no final do mês, mas avaliam que vale a pena aproveitar os momentos da Copa. ‘‘O comério e a indústria param em todo o País, mas há setores que vendem mais nos períodos que antecedem os jogos’’, afirmou ontem o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, José Carlos Gomes Carvalho.
O presidente da Fiep citou o comércio e a indústria que produzem materiais para a Copa. ‘‘O que foi vendido de bandeira e corneta nos últimos dias, não é brincadeira’’, comentou Carvalho. Ele ressaltou ainda que a Copa tem um fator psicológico muito importante sobre a população, que acaba trabalhando melhor quando o time ganha.

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