Curitiba - Os comerciantes da área da alimentação estão rindo à toa por causa da Copa do Mundo, em especial nos dias de jogo do Brasil. Nos supermercados, na véspera e nos dias em que a seleção canarinho entra em campo, as vendas de carne e cerveja viram o carro-chefe do negócio. Donos de supermercados, açougues, padarias e outros comércios no ramo da alimentação chegam a contabilizar um crescimento nas vendas de até 200% em relação a outros dias.
É esse o caso do ''Vininha'', uma marca tipicamente curitibana especializada em miniaturas de cachorro quente, hambúrguer, esfirra e sanduíche de calabresa. Durante a semana, ele vendia entre 3 a 4 mil unidades ao dia e na sexta-feira, dia de maior movimento, a demanda chegava a 8 mil unidades. Já no dia do primeiro jogo do Brasil, as vendas aumentaram quatro vezes em relação ao normal, ultrapassando as 12 mil unidades diárias.
''No primeiro dia nós fomos surpreendidos. Tivemos que dobrar a carga horária de trabalho para dar conta do serviço'', diz o empresário Rodrigo Miranda. Ele conta que, literalmente, teve que colocar a mão na massa para ajudar a dar conta do recado. Agora, a empresa já se organizou. ''Estamos preparados. Sabemos que antes as pesoas chegavam no balcão e pediam 10, 20, 30 unidades para levar. Nesses dias, pedem 200 unidades'', afirma. A loja atende tanto para entrega como para compra direto no balcão.
Entre os supermercados, o Wal-Mart supercenter tem os dados mais otimistas. Em dia de jogo, a venda de carnes tem aumentado 160% em relação aos dias normais, e a demanda por cerveja cresce 100% nas vésperas dos jogos do Brasil. Para o jogo de hoje, entre Brasil e França, a expectativa da rede Mercadorama é aumentar em 90% as vendas de cerveja e 40% de carnes.
O hipermercado Big, por sua vez, acredita que a tendência é que, à medida que o Brasil chegue mais perto das finais, os números cresçam mais. Até agora, o grupo já aumentou em mais de 50% as vendas de carne e cerveja. ''A Copa do Mundo é um evento que estimula o consumo de alguns produtos específicos como carnes, bebidas e petiscos em geral'', destaca o diretor regional do BIG, Gilberto Alves, ressaltando que a venda de refrigerantes, salgadinhos, queijos e demais petiscos também aumentam neses dias.
Para o presidente da Associaçao Paranaense de Supermercados (Apras), Everton Muffato, esse crescimento não reflete em maior faturamento para as empresas. ''Em dia de jogo, aumenta a venda de alguns produtos específicos, mas deixa-se de vender outros, porque ninguém vai ao mercado. Nem mulher braba com o marido por causa dos jogos'', brinca. O resultado, segundo ele, é a queda de faturamento em relação a dias normais.
Com o tempo mais frio neste final de semana, alguns já apostam no crescimento de vendas de outros produtos. Para Muffato, muitos torcedores devem trocar a cerveja por vinho.
Os bons resultados do comércio refletem os resultados da pesquisa, feita pelo Instituto QualiBest, que mostra que o brasileiro gosta mesmo de um clima de festa na hora de assistir aos jogos da Copa. Entre os entrevistados, 79% afirmaram que assistem aos jogos em suas próprias casas, 42% na casa de
amigos ou parentes e 19% em bares. O Instituto QualiBest entrevistou 1.993 pessoas em todo o país, através de questionário enviado pela Internet. Nas respostas, 75% disseram que acreditam que o Brasil trará o hexacampeonato.

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