São Paulo - A indicação de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central (BC) ''caiu como uma luva para o Brasil, principalmente por causa da atual conjuntura que o País enfrenta de restrição de crédito e elevada percepção de risco''. A avaliação é do professor de economia da Universidade de São Paulo e coordenador da Pesquisa de Preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo.
Segundo ele, Meirelles é detentor de uma locução privilegiada com os grandes banqueiros internacionais, o que o coloca em uma posição superior a do atual presidente do BC, Armínio Fraga, no tocante à captação de recursos externos. ''Há uma coisa que me agrada muito, o Meirelles, além de ter sido presidente de um grande banco internacional, tem mais vivência. E eu penso que presidente de Banco Central tem que ser mais velho, experiente, que conheça teoria, mas que tem prática'', disse Heron.
Quanto às críticas que Meirelles vêm recebendo de parte do mercado financeiro por não ter um perfil mais técnico, Heron as classifica de improcedentes. ''Isso é um desrespeito não só pela figura do Meirelles, mas também à equipe permanente do BC, que é um quadro sério e competente. O que não falta no Banco Central é PhD. Além disso, não é função do presidente do BC operar mesa. Essa é uma crítica sem sentido. É o mesmo que exigir que um presidente de clube saiba jogar futebol'', disse Heron.
''O que precisamos agora é de alguém que respeitado no exterior e que dê credibilidade ao Banco Central no Exterior. Eu acho que com a indicação de Meirelles, o mercado não terá mais desculpas para manter a especulação'', disse Heron.

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