O evento promovido pelo  Grupo FOLHA, Ayoba FM e Frente Parlamentar da Educação deu início às discussões públicas do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável da Metrópole Paraná Norte
O evento promovido pelo Grupo FOLHA, Ayoba FM e Frente Parlamentar da Educação deu início às discussões públicas do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável da Metrópole Paraná Norte | Foto: Gustavo Carneiro



À medida que a mobilidade urbana vai ficando mais complicada nas maiores cidades do País, as regiões metropolitanas do interior ganham importância, atraindo mais investimentos. O grande desafio é construir uma coordenação eficiente entres as cidades que compõem cada uma delas. Esse foi o recado que o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser, deixou para os participantes do Fórum Empresarial "Metrópole Norte: o desenvolvimento das regiões metropolitanas", promovido nesta quinta-feira (14) pelo Grupo FOLHA, Ayoba FM e Frente Parlamentar da Educação.

O evento deu início às discussões públicas do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável da Metrópole Paraná Norte, contratado pelo governo do Estado, com financiamento do Banco Mundial. Ele deverá estar pronto em abril de 2019 e vai envolver 15 municípios das regiões metropolitanas de Londrina, Apucarana e Maringá.

Raiser citou estudos feitos pelo banco que revelam a importância de compartilhamento de estruturas entre os municípios. Um deles mostrou que a eficiência no atendimento primário em saúde no Brasil chega a 70% nas cidades médias e grandes e a 50% nas pequenas. Já no atendimento secundário e terciário (hospitais) cai para 50% nas médias e grandes e a menos de 10% nas menores. "A eficiência na saúde depende de escala. O problema é que, por questões políticas, as pequenas cidades querem ter seus hospitais, mas não têm recursos para comprar e manter equipamentos e contratar médicos", afirma. Portanto, a melhor saída, conforme mostrou o estudo, é que as maiores cidades concentrem hospitais e atendam os habitantes de toda a região metropolitana. "Não faz sentido uma cidade de 5 mil habitantes ter hospital. Tem que compartilhar", alega.

O exemplo, segundo ele, serve para outras áreas. O desafio é a coordenação entre os municípios. Raiser citou o projeto de despoluição da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Foi prometido para até as Olimpíadas de 2016, mas nunca ficou pronto. "O Brasil se comprometeu a limpara a baía, mas não conseguiu. E não foi por falta de verba ou de vontade política. Mas simplesmente porque a baía agrega 12 municípios e não foi possível realizar a coordenação entre eles", afirma.

Numa região metropolitana, segundo o representante do Banco Mundial, não há problema de uma cidade concentrar determinada atividade, desde que o transporte intermunicipal seja eficiente.

PLANEJAMENTO
O plano de desenvolvimento da região está sendo elaborado por uma equipe de mais de 30 pessoas. Segundo a coordenadora do projeto da parte do governo Sônia Maria dos Santos, da Secretaria de Estado do Planejamento, trata-se de um "planejamento longo e trabalhoso" do qual ela espera "excelentes resultados". A técnica salientou que os resultados só virão se houver participação da comunidade local. "Vamos buscar ao máximo a participação popular."

Com ações planejadas para até 30 anos, o plano "não é coisa simples", conforme disse a arquiteta Tami Szuchman. Ela representa a Urbitec, empresa que junto com a Cobrape desenvolvem o projeto. "Temos uma equipe especializada, multidisciplinar. Mas é a população local que tem de dizer como as coisas funcionam e o que é preciso ser melhorado, quais são os pontos comuns que podem ajudar a alavancar a região."

Já o superintendente do Grupo FOLHA, José Nicolás Mejía, disse que o plano merece atenção especial porque a região representa 14% do PIB (Produto Interno Bruto) e tem 15% da população do Estado. "A capacidade de desenvolvimento da região ainda não foi explorada. O grupo FOLHA tem apoiado toda iniciativa que visa ao desenvolvimento da região. Não poderíamos deixar de dar o suporte para que o plano se torne realidade", disse.

Além de palestras, o evento contou com um debate, do qual participaram o secretário da Agricultura, George Hiraíwa, que representou a governadora Cida Borghetti (PP), o deputado federal Alex Canziani (PTB), presidente da Frente Parlamentar da Educação, o deputado estadual Tiago Amaral (PSB) e o coordenador executivo do Plano, Cláudio Kruger. O debate foi mediado pela diretora de Jornalismo da Ayoba, Raquel Rodrigues.

Também prestigiaram o evento os prefeitos Sílvio Damasceno (Prado Ferreira), Bruna Casanova (Primeiro de Maio) e Oscimar José Sperandio (Cafeara).

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