Coopermibra fornece línter para a Imbel
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sexta-feira, 13 de setembro de 2002
Sid Sauer<BR>Equipe da Folha 
Campo Mourão O línter produzido pela indústria de óleo de caroço de algodão da Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil (Coopermibra), de Campo Mourão, está sendo comercializado para a Indústria de Materiais Bélicos do Brasil (Imbel) para a fabricação de pólvora. O negócio vai resultar em faturamento anual de R$ 7,5 milhões à cooperativa, o que corresponde a 30% da receita total da fábrica, que é R$ 25 milhões.
''O línter era um problema e hoje é o produto mais rentável da indústria'', disse o vice-presidente da Coopermibra, Valdomiro Bognar. O preço do produto, que antes era exportado principalmente para Israel, era de US$ 180 a tonelada. Agora, por meio da parceria com a Imbel, o produto passa pelo processo de branqueamento e purificação e, assim, tem o valor elevado para US$ 1,2 mil a tonelada. A Imbel é uma empresa vinculada ao Ministério da Defesa e ao Exército.
O negócio entre a Coopermibra e a Imbel foi fechado depois de cinco meses de negociações. A meta da cooperativa é repassar todo mês cerca de 450 toneladas de línter à indústria bélica. Antes o produto era importado pelo Exército. O negócio só ocorreu depois que a cooperativa descobriu que a Imbel possuia em Piquete (SP) uma indústria de branqueamento e purificação do línter que estava paralisada há cinco anos.
Bognar disse que o contrato firmado com a indústria, presidida pelo general Armando Luiz Malan de Paiva Chaves, é por longo prazo. Por razões contratuais, ele não pôde informar o prazo. Segundo Bognar, as outras sete indústrias de óleo de caroço de algodão existentes no País estão exportando o línter sem passar pelo processo de purificação, o que reduz o valor da mercadoria no mercado.
A indústria de óleo de caroço de algodão de Campo Mourão pertence à Algodoeira Limoeirense (Algolim) e foi reativada pela Coopermibra no ano passado, após vários anos fechada. A unidade esmaga 250 toneladas de caroço por dia. Dessa produção, apenas 8% se transforma em línter. O carro-chefe da fábrica, o óleo bruto, corresponde a 18% do caroço esmagado. Outros 55% viram farelo e o restante são impurezas.


