Cooperativistas perdem até 25% da renda em 2005
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sábado, 03 de dezembro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ao contrário dos últimos quatro anos, quando as cooperativas agrícolas e seus associados cresceram a índices superiores a 20% ao ano, em 2005 os cooperativistas tiveram uma perda de 20 a 25% em suas rendas. Apesar do mau desempenho do setor este ano, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) está otimista em relação a 2006 que, para a entidade, deve ser um ano de recuperação para os agricultores.
''Houve neste ano uma combinação de fatores adversos, de ordem conjuntural, fora do domínio de nossas cooperativas'', afirmou o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, ontem de manhã durante encontro estadual dos cooperativas, realizado em Curitiba. De acordo com Koslovski, pelo menos quatro fatores colaboraram para esse mau resultado em 2005: as más condições climáticas, altos custos de produção, queda de receita nas exportações e queda dos preços dos produtos agropecuários.
Só a seca prolongada do início do ano foi responsável por uma perda de 6 milhões de toneladas da produção de soja, milho e algodão. Outro problema para o produtor, segundo ele, é o aumento no custo de produção, uma vez que ele pagou os insumos e sementes para plantio com a cotação do dólar em R$ 3,20, e agora está comercializando a mesma safra com dólar a R$ 2,20. A preocupação também recai sobre os baixos valores dos produtos no mercado internacional, justamente em função desta baixa cotação do dólar em relação ao real.
''Essa perda se reflete nas demais atividades econômicas'', explicou, ressaltando que isso ocorre porque a cada R$ 1,00 que deixa de ser gerado na produção, deixam de circular R$ 2,70 na economia urbana. ''Com isso, muitos municípios são dependentes da produção'', disse.
Apesar a previsão dos institutos metereológicos de novamente haver ''distribuição inadequada das chuvas'' em 2006, a expectativa da Ocepar para a safra de verão é de colheita de 30 milhões de toneladas. Este ano, a previsão inicial de colheita era de 28 milhões de toneladas, mas a safra se restringiu a 22 milhões de toneladas. Desse total, as cooperativas foram responsáveis pela comercialização de 55% da produção.
Além da obtenção de melhor safra, a Ocepar também conta com a sensibilização do Governo Federal, para obtenção de melhores resultados em 2006, com a adoção de medidas que venham reduzir a taxa de juros, melhorar a política cambial e concesão de mais crédito oficial.
Em relação ao plantio de transgênicos, a Ocepar aguarda os resultados da comercialização da soja transgênica plantada no Estado para avaliar qual das culturas é mais benéfica financeiramente para o agricultor: a soja transgênica ou convencional. Hoje 15% da soja plantada no estado é transgênica. ''Essa área servirá como experiência, para vermos os preços de comercialização, mercado, exportação'', avalia o superintendente adjunto da Ocepar Nelson Costa.


