Nas salas de aula de quase 700 escolas paranaenses, a grade curricular ganha novo fôlego e transforma a vida de milhares de crianças e adolescentes graças a dois dos maiores programas de educação cooperativa do Estado. Muito mais do que o português e a matemática, o Cooperjovem - do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Paraná (Sescoop-PR) - e o ''A União Faz a Vida'' - do Sistema de Cooperativas de Crédito Sicredi - há seis anos colocam alunos (e também educadores) em contato direto com noções de cooperativismo e cooperação, respectivamente, tornando-os cidadãos mais comprometidos com suas comunidades. No Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), a expectativa é que quase 40 mil estudantes paranaenses conheçam um pouco mais destes temas por meio de ações socioambientais por todo o Estado.
De acordo com Vanessa Christofoli, coordenadora do Cooperjovem, desde 1992 o ensino sobre cooperativismo acontece em algumas escolas do Paraná, mas com o programa, instituído a partir de 2006, ''o trabalho ficou mais homogêneo e com uma metodologia definida''. Após a capacitação dos professores feita pelo Sescoop-PR, os alunos de quarta série do ensino fundamental recebem uma formação continuada através de um material didático sobre o assunto, sempre com uma cooperativa intermediando o início do trabalho.
Para ingressar no Cooperjovem, a cooperativa deve entrar em contato com o Sescoop e depois procurar a secretaria da educação do município com o intuito de escolher uma escola na qual possa iniciar os ensinamentos, ou como uma disciplina à parte no contraturno escolar ou inseridos em meio a outra aula. ''Depois que os alunos entendes o que é cooperativismo, eles vão para a prática, por meio de criação de projetos pensados e elaborados por eles mesmos'', comenta a coordenadora.
Os projetos podem ser os mais variados possíveis, desde a reforma de uma biblioteca escolar e a importância de manter os livros em boas condições até a visita a um lar de idosos para conscientizar sobre como tratar bem as pessoas de mais idade. ''O aluno entende o que é cooperativismo e depois vivencia a cultura de cooperação na prática. É uma mudança de cultura, traz reflexão a alunos e professores, além de ser um exercício de cidadania.''
Já para as cooperativas que buscam o Sescoop para aderir ao programa, Vanessa entende que este é o momento de exercer os princípios do sistema cooperativista. ''A base do cooperativismo é o desenvolvimento econômico equilibrado pensando no quadro social, se preocupar com o que está em volta. Além disso, pode acontecer das cooperativas estarem trabalhando com uma geração de novos cooperados.''
Do total de 240 cooperativas do Estado, apenas 15 participam do Cooperjovem. Porém, Vanessa explica que não é objetivo do Sescoop fazer ''oba-oba'' com o trabalho. Vanessa relata que as cooperativas, antes de vislumbrarem ingressar no programa, devem entender que é algo trabalhoso e não deve ser abandonado de uma hora para outra. ''Vamos colocar em uma escola por vez, de forma tranquila e organizada. Só assim os princípios são disseminados como almejamos. Até hoje, tivemos apenas duas desistências, uma devido a problemas políticos e outra por questões financeiras'', complementa ela.

Imagem ilustrativa da imagem Cooperativismo se aprende na escola
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