Em meio aos pesadelos que a política econômica brasileira viveu em 2015 – com projeções obscuras para o fechamento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e impacto forte em diferentes setores produtivos – o sistema cooperativista paranaense mostrou que continua sólido e, mais uma vez, fecha o ano "no azul", com maior número de cooperados e elevação no faturamento.
Quando se trata apenas do agronegócio, que possui maior representatividade no volume de negociações do sistema, o salto de produtores que resolveram ingressar em cooperativas deve fechar em 4,5%, de 135 mil para 141 mil cooperados, o que representa aproximadamente 38% de todos os agricultores do Estado. No que diz respeito ao faturamento, a elevação deve atingir 12,6%: de R$ 43,5 bilhões para R$ 49 bilhões. Já quando se analisa as cooperativas que englobam todos os tipos de negócio, os cooperados atingiram a marca de 1,3 milhão de pessoas e montante de R$ 56,6 bilhões, ascensão de 21,4% e 11,8%, respectivamente. Os números foram divulgados ontem pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
O gerente técnico e econômico da entidade, Flávio Turra, explica que 40% dos novos cooperados do agronegócio são de estados vizinhos do Paraná nos quais as cooperativas passaram a atuar com maior força em 2015. Outro ponto que justifica o aumento foi a boa movimentação interna de setores ligados à pecuária. "Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul se tornaram estratégicos para as cooperativas paranaenses, que buscam novos parceiros. O aumento do número de integrados nos setores de aves e suínos, por exemplo, também justifica o crescimento", explica.
No caso dos produtores de grãos, também houve incremento no último ano, mas em menor percentual, de acordo com Turra. "Neste caso, os produtores que procuram pelas cooperativas estão em busca de assistência técnica, compra diferenciada de insumos e melhor forma de negociar sua produção no mercado", explica.

SAFRA RECORDE


Aliás, quando se pensa na melhora de faturamento (inclusive com estimativa de ultrapassar os R$ 49 bilhões previstos), a justificativa está na safra 2014/15 recorde no Estado, de 38 milhões de toneladas de grãos, além do maior volume no abate de frangos e suínos. "No caso dos grãos, o cenário do milho também foi bem positivo, o estoque era grande e os produtores acabaram vendendo agora porque o mercado estava remunerando melhor. Outro ponto importante foi o valor agregado com a agroindustrialização dos produtos, que cada vez ganha mais espaço nas cooperativas", salienta o economista.
No que diz respeito à exportação, o câmbio favorável ao dólar acabou "salvando a lavoura". Em dólares, a alta foi de modestos 4,1% , de US$ 2,4 bilhões para US$ 2,5 bilhões. "Mas na prática, a remuneração em reais foi significativa, quando fazemos a conversão de acordo com a cotação da época, o aumento foi de R$ 5 bilhões para R$ 9 bilhões, elevação de 80%", complementa Turra.

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