Cooperativismo chega ao segmento de serviços
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Mariana Fabre<br>Reportagem Local 
O cooperativismo é um modelo de negócio que tem agradado muitos brasileiros. No Paraná, os segmentos que concentram o maior número de cooperativas são o da agropecuária e do crédito, mas uma nova modalidade começa a ganhar espaço no Estado: as cooperativas de serviço, que atuam em setores como costura, lavanderia e limpeza. Este ano, o município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), deu início a uma dessas iniciativas. Com recursos - R$ 120 mil - do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, foi criada em dezembro do ano passado, a União das Lavadeiras, Passadeiras e Costureiras de Campo Largo (Unilav).
Para a seleção das cooperadas foi publicado um edital de convocação e o critério de seleção foi o Cadastro Único, que engloba os cidadãos que recebem a Bolsa Família. De acordo com a coordenadora da Unilav, Agueda Maria Schmidt, como o salário é uma participação nos lucros, muitas lavadeiras não tinham condições de aguardar o retorno financeiro. Assim, apesar de contar com 20 cooperadas registradas, atualmente 11 lavadeiras estão trabalhando.
As selecionadas passaram por treinamento e a cooperativa entrou em funcionamento no início do mês. O maquinário é de lavanderia industrial e a capacidade é de 15 mil peças por mês. Segundo Agueda Schmidt, a Unilav atende a população, mas o foco são as empresas. A princípio, as cooperadas lavam e passam roupas de cama, mesa e banho. ''O nosso primeiro maior cliente, uma pousada da região, entregou 110 peças de uma só vez para lavarmos'', conta a coordenadora.
Para formar a clientela, a Unilav cobra valores abaixo do mercado, como R$ 0,50 por toalhas de rosto e guardanapos. Quando o número de peças é maior, acima de 20, a lavagem dos guardanapos sai por R$ 0,20 cada e das toalhas de rosto, R$ 0,25. O serviço mais caro é a lavagem do edredon king size, que custa R$ 12, ou R$ 6 no atacado. Agueda explica que, de todo o dinheiro arrecadado com os serviços, 20% é destinado ao fundo de reserva. O restante é dividido entre as 11 cooperadas que estão trabalhando.
Maria Barbosa, presidente da Unilav, conta que nunca havia exercido a função de lavadeira antes, mas que o treinamento foi muito proveitoso. ''Aprendemos a conservar a roupa, tirar manchas, dobrar, clarear e tirar ferrugem sem esgarçar o tecido'', relata orgulhosa. A Prefeitura de Campo Largo irá, por meio de Termo de Cooperação técnica/administrativa, vai auxiliar na manutenção da cooperativa pelo período de um ano, podendo, se necessário, haver prorrogação desse prazo.


