O Coonagro, união de 21 cooperativas paranaenses para buscar soluções mais baratas para a compra de insumos, apresentará no dia 30 de junho um plano para compra ou construção de um armazém para misturar fertilizantes, perto de Paranaguá. Criada em 2008 com o objetivo principal de fugir das flutuações de preços dos fornecedores multinacionais, o grupo pretende suprir 50% da demanda dos cooperados até 2014, com 400 mil toneladas de adubo.
Mesmo sem estrutura própria, o Coonagro faz hoje a mistura de 100 mil toneladas ao ano de fertilizante por meio de terceirização. Iniciativa que tem origem no que o diretor executivo do grupo, Daniel Fontes Dias, chamou de "gota d'água", quando, em 2008, o preço do insumo dobrou devido ao aumento da demanda e à falta de matéria-prima. A solução foi estudar como funcionava o mercado para poder negociar preços, o que levou à união das cooperativas.
Dias conta que as multinacionais controlam 70% do fornecimento de fertilizantes e 85% de defensivos agrícolas. Ainda, diz que 50% do adubo que chega ao Paraná é negociado por empresas que compram os grãos dos produtores. "Como quem vende é quem recebe os grãos, eles sabem quanto o produtor pode pagar e monitoram o mercado para atrelar o preço de um ao outro, sem levar em consideração apenas o custo para fabricação de fertilizantes", afirma o diretor.
Ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e hoje técnico do órgão no Paraná, Eugenio Stefanelo concorda que a flutuação do custo de insumos seja prejudicial aos produtores, principalmente nos últimos dois anos. "Com 45% a 50% de rentabilidade na soja no ano passado, por exemplo, os preços de fertilizantes ficaram elevados e as cooperativas tiveram de se unir para fazer a importação e a mistura de matéria-prima."
O Coonagro também indicará épocas para compra de insumos, quando os preços estiverem em baixa. Por isso, prevê a construção de um armazém que comporte 100 mil toneladas de fertilizantes. "É uma quantidade estática que atende a um período, mas pretendemos rodar o total quatro vezes ao ano", diz Dias.
A única dúvida, conta o diretor, é determinar se a compra de uma estrutura pronta é mais vantajosa do que a construção. "Se montássemos do nosso jeito, seria mais moderna, mas investir do zero pode ser mais arriscado", afirma, em relação às dificuldades para o licenciamento ambiental.

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