Cooperativas vão levar proposta à OMC
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Guto Rocha 
A conquista de condições igualitárias no mercado internacional pelo agronegócio brasileiro depende de ações mais claras do governo e a unificação de esforços entre setores privado e público. A afirmação foi feita ontem em Londrina pelo presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues, que participou do Encontro de Cooperativas Agropecuária do Paraná. O encontro faz parte do Ciclo de Eventos Ruraltech, que acontece na 39ª Exposição Agropecuária e Industrial.
Rodrigues afirmou que as barreiras aos produtos brasileiros pelos blocos econômicos Nafta e União Européia só serão superadas, ou pelo menos amenizadas, se houver uma posição mais altiva do Brasil. Rodrigues, que também é presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), afirmou que durante a Rodada Uruguai do Gatt, a falta de articulação entre o setor privado e público brasileiro acabou prejudicando as negociações do setor do agronegócio. Mas o erro acabou servindo de lição para não repetirmos na próxima rodada, comentou.
O presidente da Abag observou que este é o momento para articular ações entre os dois setores porque a Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC) será realizada em dezembro deste ano. A Rodada do Milênio vai definir as regras comerciais para o agronegócio no mundo. Rodrigues disse que as entidades ligadas ao setor produtivo vão organizar um roteiro genérico de reivindicações que serão apresentadas ao governo para que haja uma unidade entre as ações dos dois setores na Rodada do Milênio.
Mas antes das conquistas que podem ser obtidas na OMC, Rodrigues afirmou que o governo precisa fazer o seu dever de casa, senão dificilmente conseguirá atingir a meta de exportar US$ 45 bilhões nos próximos cinco anos. O governo precisa definir com clareza uma política agrícola, reduzir os juros, promover a reforma tributária e diminuir as taxas portuárias.
O secretário da Agricultura do Paraná, Antonio Leonel Poloni, que também fez palestra no encontro, apresentou o Programa de Defesa Sanitária do Estado. Poloni afirmou que o Brasil precisa conquistar credibilidade para seus produtos no mercado externo.
Recoop O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, que participou do encontro, disse que o Recoop (programa de saneamento das cooperativas) está assegurado com reedição publicada na quarta-feira do Decreto que regula o programa e da garantia que o governo deu de que a Medida Provisória que criou o Recoop também será reeditada. Os recursos suplementares para o programa, da ordem de R$ 2,8 bilhões também estão garantidos, afirmou. Segundo ele, 25 projetos de reestruturação já foram aprovados.


