ConcorrênciaAs cooperativas querem garantir seu espaço no mercado de lácteos, cada vez mais competitivo A união das cooperativas Clac e Witmarsun, que estão investindo R$ 12,8 milhões na Centralpar, em Curitiba, para ampliar a participação dessas empresas no mercado de leite e derivados, não é fato isolado no Paraná. Outras três Centrais de Laticínios estão se organizando e consolidando posições no mercado paranaense para enfrentar em condições de igualdade (preço e qualidade) a concorrência que chega do Mercosul.
No total o setor leiteiro ensaia investimentos de R$ 300 milhões. As cooperativas de leite estão saindo na frente, devendo investir quase R$ 50 milhões, para modernizar a produção, reduzir custos e ganhar em economia de escala. Também estão investindo na modernização das instalações do cooperado, na alimentação animal e ampliando a assistência técnica para que o custo na propriedade seja mais reduzido.
O sistema de produção leiteiro no Paraná e no Brasil, de modo geral é redumentar e requer melhorias. O processo de coleta e transprote do leite reflete no seu preço final e na competitividade. O Brasil está competindo com países em que este setor é altamente profissional.
Nova Fase Nelson Costa, diretor técnico da Ocepar, confirma a disposição das cooperativas que trabalham com leite em fazer investimentos depois de uma fase em que o setor atravessou dificuldades financeiras. Segundo Costa, essas cooperativas têm maior sustentação financeira porque trabalham com produtos que geram renda diária e constante, ao contrário de outros segmentos da agricultura.
Norte reluta Na região Norte, um grupo formado pela Colmar, de Maringá; Colari, de Mandaguari; Central Norte, de Apucarana; Cativa de Londrina e Cooperativa Central de Produtos Lácteos está tentando se unir em torno da Confepar - Confederação das Cooperativas Agropecuárias do Paraná. O processo é lento e não está definido. A idéia é enxugar, para ganhar em economia de escala, confirmou Paulo Roberto Martins Pereira, gerente administrativo-financeiro da Confepar.
Independente do processo de união, a Cativa e a Confepar já iniciaram investimentos para modernização de suas instalações. A Cativa pretende investir este ano R$ 2,296 milhões, na reforma e compra de novos equipamentos, informatização e automação do setor industrial. Na parte comercial, os planos também são ousados, explicou o diretor comercial, Alfredo Carvalho.
Os representantes de venda serão transformados em distribuidores, que serão estimulados a buscar outros estados para distribuir os produtos da cooperativa. Ao mesmo tempo, serão realizadas gincanas promocionais para fixar a marca, os lançamentos de produtos serão incremetados e as vendas terão metas definidas, para que sejam maximizadas no mercado, acrescentou Carvalho.
Com os investimentos, a Cooperativa pretende ampliar a capacidade produtiva atual de 110 mil litros/dia, para 150 mil litros, e até o final do ano, a meta é chegar a 200 mil. Enquanto a união, em torno da Confepar não é concretizada, Carvalho antecipou que a Cativa já desencadeou um processo de aglutinação de cooperativas menores no Norte Pioneiro, para ampliar a captação de leite.
A Confepar diz que está investindo R$ 1,5 milhão na compra de equipamentos para modernizar a produção de longa vida e na melhoria das instalações industriais para ampliar a produção de 330 mil litros/dia, para 430 mil litros/dia.
A união das cinco cooperativas na região, se concretizada (o processo é muito lento e cheio de divergências), será feita sob o comando de um único gerenciamento, que vai determinar qual unidade vai fabricar determinado produto. Ou seja, a unidade que produz o melhor queijo, vai fabricar sozinha o produto. As demais passam a se concentrar apenas naquilo que fazem melhor.
Na região do ABC, a Cooperativa Central de Laticínios Batavo - mais profissional e melhor estruturada - ampliou o processo de filiação com a incorporação das instalações da Agromilk, no Oeste Catarinense, ampliando a recepção e industrialização de 450 mil litros de leite por dia, para 800 mil litros de leite por dia.
A Batavo está investindo R$ 40 milhões, esse ano no processo de modernização e ampliação da capacidade de produção. Com maior oferta de produtos a Batavo está ampliando o atendimento nos mercados tradicionais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e ampliando para outras regiões como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Brasília.
Na região Oeste a Sudcoop, central cooperativa formada pela Coopervale de Palotina, Coopacol de Cafelândia, Cotrefal de Medianeira, Copagril de Marechal Cândido Rondon, está investindo R$ 1,67 milhão na aquisição de equipamentos para automação da produção.
Oferta regular Segundo Nelson Costa, as cooperativas descobriram que elas precisam manter a oferta constante de produtos no mercado e conquistar o espaço nas prateleiras. Além disso, a união conduz a uma situação mais confortável para enfrentar a concorrência com o Mercosul, que antes assustava tanto.
Para se ter uma idéia, a produção de leite no Paraná, no ano passado, alcançou 840 milhões de litros, o que superou em 100 milhões a produção de 1995, que foi de 740 milhões de litros. Nos últimos seis anos a produção paranaense avançou de 590 milhões para 840 milhões de litros de leite anuais, o que comprova os investimentos que vêm sendo feitos, apontou Costa.

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