Curitiba - O ministro da Agricultura Mendes Ribeiro Filho anunciou ontem, durante o Encontro Estadual das Cooperativas, em Curitiba, a criação da Secretaria Especial do Cooperativismo para o ano que vem. O novo órgão, vinculado ao Ministério, terá o papel de fortalecer o setor e incrementar a cadeia produtiva em todo o País.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, cerca de 50% de tudo o que é produzido no Brasil passa, direta ou indiretamente, por uma cooperativa agropecuária. Hoje, as 1.548 cooperativas que atuam no campo reúnem cerca de 1 milhão de associados. A grande maioria - 92% no total - são produtores rurais de pequeno porte, que têm propriedades de até 100 hectares.
De acordo com Mendes Filho, os exemplos de cooperativismo em estados como o Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais comprovam que a atividade associada tem um papel fundamental na economia nacional. ''O cooperativismo é muito importante na vida de todos os brasileiros porque promove a cadeia do desenvolvimento e possibilita que as pessoas possam trabalhar e comercializar. Fortalecendo o cooperativismo estaremos fortalecendo a agricultura. O cooperativismo é o grande elo de crescimento do Brasil, nós vamos alimentar o mundo por muito tempo'', declarou.
Mendes Filho também destacou a importância de parcerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), além de outros agentes financeiros, para facilitar o acesso dos produtores aos recursos. ''Nosso produtos precisam ter um valor agregado. Já liberamos R$ 36,2 bilhões em recursos de crédito rural. Isto representa 34% dos R$ 107,2 bilhões programados para o agricultor empresarial. O avanço foi significativo, mas temos que fazer chegar mais recursos. E trabalhando junto com as cooperativas podemos ter um crescimento ainda maior neste sentido'', disse.
Política agrícola
O ministro destacou que está intensificando os esforços no sentido de implantar uma política agrícola definitiva dentro do governo federal. Ele afirma que este é o grande desafio de seu trabalho. '' O produtor tem que ser protegido. E isso só acontece com uma política agrícola eficaz. O agricultor tem que saber o que fazer com a soja, trigo ou arroz, principalmente se o clima não for favorável ou se tivermos problemas de mercado. Só assim podemos ter a garantia de que o produtor terá uma renda'', informou.
Mendes Filho lembrou ainda que o Ministério da Agricultura está tentando antecipar os fatos sobre a queda no preço das commodities. Segundo ele alguns leilões estão sendo feitos para que se possa avançar no seguro da renda do produtor, garantindo a ele o preço mínimo do produto.
O ministro também adiantou que na próxima terça-feira (6) vai receber da Comissão da Agricultura um documento sobre a realidade da cadeia produtiva do trigo, que neste ano teve perdas consideráveis na produção em diveros estados. O Paraná, maior produtor do grão no País, terá uma queda de 9% na produção por causa das geadas registradas este ano. A estimativa de colheita de 2,86 milhões de toneladas de trigo foi reduzida para 2,61 milhões de toneladas.
Código Florestal
Sobre a votação do novo Código Florestal no Senado, que deve ocorrer na próxima terça-feira (6), Mendes Filho não teceu grandes comentários, e evitou qualquer polêmica. ''Foi um grande passo, um marco. Ninguém esperava que as coisas fossem acontecer assim. Não temos um código deste ou daquele. Temos um código de bom-senso - não é um documento fundamentalista. É um código de quem quer caminhar''.

Imagem ilustrativa da imagem Cooperativas vão ganhar secretaria especial no Mapa
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