Cooperativas vão aumentar exportações
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - As cooperativas do Paraná estão preocupadas em elevar as exportações de produtos elaborados. Atualmente elas exportam 30% da produção concentrada em soja em grão, óleo, farelo, frango, suínos e suco de laranja. A meta é ampliar os negócios com produtos mais elaborados e maior valor agregado. Com isso, as cooperativas querem fazer um ''mix'', direcionando a produção para os mercados interno e externo.
Segundo João Paulo Koslovski, presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), essa estratégia é a alternativa para as cooperativas não ficarem tão dependentes do mercado interno. Segundo ele, a falta de renda do brasileiro inviabiliza a introdução de produtos mais elaborados e de maior valor agregado. ''Daí a necessidade de procurar o mercado externo'', justificou.
O tema foi debatido ontem, na sede da Ocepar em Curitiba, durante o Fórum dos Presidentes de Cooperativas Paranaenses. Um dos palestrantes convidados, o executivo Luis Fernando Furlan, presidente da Sadia, falou sobre a experiência da empresa em direcionar parte da produção para o mercado externo. Atualmente a Sadia destina 40% de sua produção às exportações.
Koslovski disse que as cooperativas do Paraná já têm tradição e respondem por 50% das exportações nacionais do segmento. Mas agora, na iminência da liberação de recursos do Programa de Investimentos em Infra-Estrutura e Agroindústrias para Cooperativas (Prodecoop), aprovado no Plano de Safra 2002/03, essas empresas querem acelerar a industrialização e ampliar as vendas externas de aves e suínos, que tiveram queda de desempenho este ano. A meta é, no futuro, exportar até carne bovina, salientou.
Furlan destacou que o Brasil tem um grande potencial para elevar as exportações de carne suína, que ainda são insignificantes. Atualmente somente Rússia e Hong-Kong estão comprando este produto. O empresário não acredita que as exportações possam reagir no curto prazo, por causa das restrições de crédito que devem continuar em 2003 devido à indefinição da economonia no cenário mundial e à ameaça de guerra.
Furlan disse que em 2001, o ano foi excelente para as exportações mas elas tiveram como indutor a ocorrência da doença da vaca louca na Europa. Com isso, o consumidor migrou o consumo para carne de aves e de suínos, que justificou o aumento das importações. Afastada a ameaça da doença, o consumidor europeu voltou a consumir carne bovina e as exportações ficaram mais difíceis.


