Arquivo FolhaOtimizandoAroldo Galassini: a parceria vai ajudar a ocupar toda a capacidade industrial da Cocamar, que está ociosa As duas maiores cooperativas do Paraná, a Coamo, de Campo Mourão, e a Cocamar, de Maringá, estão se unindo numa parceria inédita para ampliar a industrialização de soja e exportação de produtos derivados. O objetivo é concentrar esforços no esmagamento do grão para aumentar a exportação de farelo e óleo. A parceria envolve uma operação no valor de US$ 60 milhões, entre o custo da matéria-prima e a prestação de serviços. Só esta vai demandar recursos da ordem de US$ 6 milhões, informou José Fernandes Jardim Júnior, vice-presidente da Cocamar.
O acordo, que representa um marco na história do cooperativismo paranaense, será firmado hoje, na sede da Ocepar, em Curitiba. Esta é a primeira parceria a englobar o aproveitamento da infra-estrutura industrial da Cocamar, que está ociosa, em troca de fornecimento de matéria-prima por parte da Coamo. Segundo Fernandes, essa é a estratégia que será adotada a partir de agora para enfrentar a concorrência das multinacionais que estão se instalando no País. ‘‘As cooperativas devem esquecer as fronteiras e aumentar o poder de fogo’’, justificou Fernandes. Segundo ele, a proximidade entre as duas cooperativas, de 83 quilômetros, facilitou a operação.
As cooperativas faturam juntas R$ 1,36 bilhão por ano, sendo R$ 1,020 bilhão da Coamo e R$ 340 milhões da Cocamar. Elas recebem a produção de 24 mil produtores no Paraná, sendo 18 mil produtores da Cocamar e 6 mil produtores da Coamo.
A Coamo planeja exportar este ano 890 mil toneladas (t) de farelo de soja. A cooperativa de Campo Mourão produzirá este ano 500 mil t de milho, com a redução na área plantada. A produção dos produtores associados à Cocamar totaliza 300 mil t de soja e 120 mil t de milho.
O acordo prevê o aproveitamento da infra-estrutura industrial de esmagamento de soja da Cocamar, que elimina a ociosidade das instalações e passa a ocupar 100% da capacidade. Segundo o presidente da Coamo, Aroldo Galassini, a Cocamar vai esmagar 210 mil t de soja produzida na área de influência da Coamo. Esse volume vai ajudar a ocupar toda a capacidade da indústria da Cocamar, em Maringá, que é de 440 mil t. A Cocamar esmaga cerca de 230 mil t/ano.
Além do grão, a Cocamar vai refinar e envasar 50 mil caixas de óleo com a marca Coamo. Atualmente, a Cocamar envasa, com marca própria, 250 mil caixas por mês, volume inferior à capacidade total da indústria, que é de 350 mil caixas. Além de atender a Coamo, a Cocamar vai envasar mais 50 mil caixas de óleo para a Cotrefal, de Medianeira, e 10 mil caixas para a cooperativa gaúcha, Camil, atingindo a capacidade plena da indústria, afirmou Fernandes.
A Cocamar vai atender a Coamo também no transporte de produtos que a cooperativa exporta, rumo a Paranaguá. Esse serviço será feito por transbordo ferroviário da Cocamar, em Maringá. A estimativa é transportar 300 mil t de soja, milho e trigo e outros produtos para exportação. Em compensação, toda a exportação da Cocamar, de soja em grão, farelo e óleo, deverá ocorrer via terminal portuário da Coamo. Segundo Fernandes, a qualidade de produção das duas cooperativas é reconhecida internacionalmente ‘‘e não tem sentido ocupar instalações distintas para separar as atividades de exportação das duas cooperativas’’.
Em troca dos serviços prestados pela Cocamar, a Coamo se compromete a pagar tarifas e fornecer matéria-prima como caroço de algodão e sementes de soja. A Coamo, que tem forte participação na comercialização do produto, vai extrair a pluma, e o caroço de algodão será enviado para beneficiamento na indústria de multióleos da Cocamar. Segundo Galassini, a Cocamar recebe em torno de 3,5 milhões de arrobas de algodão. Mas nos tempos áureos da cultura, quando o Paraná se destacava como primeiro produtor nacional, chegou a receber 12 milhões de arrobas, lembrou.
Para Fernandes, esse acordo representa a viabilização da indústria multióleos, que vinha processando somente soja e canola. Agora ele estima que 60% a 70% da capacidade instalada da indústria serão ocupadas no beneficiamento do caroço de algodão e o restante, com canola. A Coamo deverá enviar de 15 mil a 20 mil t de caroço de algodão durante a safra e a Cocamar vai beneficiar mais 10 mil toneladas de produção própria.
Outro compromisso assumido pela Coamo é o fornecimento de 80 mil sacas de sementes de soja para a Cocamar. Fernandes explicou que a cooperativa de Maringá sempre teve dificuldade de obter a semente própria, já que a maior parte dos seus associados está na região Noroeste, cujo clima e solo não são propícios. Já na área de atuação da Coamo, que chega até a região Sudoeste essa tarefa é facilitada pelas condições climáticas.

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