Cooperativas se preparam para soja transgênica
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segunda-feira, 01 de agosto de 2005
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - As cooperativas do Paraná já se mobilizam para receber a produção de soja transgênica que começa a ser plantada na safra 05/06. A expectativa é que a variedade alcance 15% da área total ocupada com a soja no Estado. Mas, dentro de dois ou três anos, o plantio da soja modificada geneticamente deverá atingir entre 90% e 95% da área plantada no Brasil, prevê José Aroldo Galassini, presidente da maior cooperativa agropecuária do País, a Coamo, de Campo Mourão.
Com a previsão de expansão do plantio da soja transgênica, a partir da aprovação da lei de biossegurança, que liberou o plantio e comercialização, as cooperativas querem negociar o pagamento de um adicional para a soja convencional. Os dirigentes de três cooperativas agropecuárias paranaenses a Cocamar, de Maringá; Coamo; e Agrária, de Guarapuava , acreditam que agora haverá condições de valorização da soja convencional.
Para o superintendente comercial e industrial da Cocamar, Celso Carlos dos Santos Júnior, só tem valor o que é escasso. Para ele, o atraso na aprovação da lei de biossegurança e os impedimentos na exportação de soja transgênica no Paraná estão provocando prejuízos aos produtores e cooperativas.
O diretor financeiro da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, de Guarapuava, Arnaldo Stock, vai na mesma direção. Segundo ele, não havia a decisão de pagar preço diferenciado pela soja convencional no exterior, porque os clientes sabiam da restrição no Brasil. ''Agora, com a lei, é que a situação começa a mudar'', afirmou. Segundo Stock, a Agrária vai segregar a produção de soja transgênica, que não deverá ser muito intensa na região por causa da dificuldade de adaptação das variedades desenvolvidas até agora. Ele acredita que, considerando as reservas de sementes feitas, apenas 2,3% da área da região deverá ser de soja transgênica.
Para os dirigentes cooperativistas, o mercado é quem vai regular a produção. Para isso, no entanto, o produtor quer um adicional, que estimule o plantio de soja convencional, para compensar a diferença no custo de produção da soja transgênica, avaliada em 15%. Para Santos Júnior, da Cocamar, o que se paga hoje ainda não compensa o custo da separação. O diretor da Cocamar disse que a valorização da soja convencional no mercado externo deverá ficar mais evidente a partir da safra do ano que vem, quando a produção aumentar.
Em outubro, uma missão da Coamo vai para a Europa negociar a venda da soja convencional. Galassini calcula que é necessário um adicional de 20%, para que 15% possam ser repassados ao produtor e 5% devem ficar com a cooperativa para cobrir os custos com a segregação do grão. Segundo ele, 85% da soja negociada na Europa já é transgênica, o que aumenta a tendência de valorização da soja convencional.
A reporter Vânia Casado visitou as cooperativas Cocamar, Coamo e Agrária Mista Entre Rios, à convite da Ocepar.


