Os produtores e cooperativas ligados aos segmentos da avicultura, suinocultura e de leite estão retendo os estoques de milho que mantêm armazenados. Outras cooperativas e indústrias ligadas à avicultura e suinocultura também estão procurando a matéria-prima para formar estoques. Eles estão preocupados com a possibilidade de faltar o grão entre janeiro e março do ano que vem, meses que antecedem a colheita, justificou o assessor técnico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Nelson Costa.
As lavouras de milho estão sendo prejudicadas pela estiagem e se não chover regularmente nos próximos dias, certamente a produtividade será afetada e poderá faltar o produto no começo do ano. Os efeitos do clima constituem um dos fatores de alta nas cotações do grão. Em um mês a variação atingiu 9%, sendo que a saca de milho subiu de R$ 7,80 a R$ 8,00 no início de novembro para R$ 8,50 a R$ 8,70 a saca.
Para o assessor da agência Safras e Mercados, Paulo Molinari, esta alta é normal nesta época do ano e não é tão absurda assim. De acordo com o técnico a oferta de milho na região Sul está reduzida, com a pouca oferta de milho importado da Argentina e com o baixo volume dos estoques do governo. Na região Sul, os estoques não ultrapassam a 50 mil toneladas, disse Molinari.
Por outro lado, Molinari reconhece que os efeitos da estiagem sobre as lavouras de milho começam a ficar graves e apontam para uma queda eminente da safra. Ele salientou que a semana que vem será decisiva para a cultura. Isso porque as plantas estão passando pelas fases de floração e penduamento, fase considerada decisiva para a formação de produtividade.
Com isso, os produtores e cooperativas se retrairam no mercado. A cada dia que passa sem chover a situação fica mais crítica. Segundo a Secretaria da Agricultura falta plantar 11% da área prevista para a cultura, que é de 1,55 milhão de hectares. Não é certo que essa área se confirme. Se comprovar a quebra da safra atual, o plantio da safrinha em 1999 será recorde, apostou Molinari.
As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) não são animadoras para o setor agrícola da região Sul do País. Segundo o meteorologista, Francisco Alves do Nascimento, o fenômeno ‘‘La Ni¤a’’ vem se configurando desde julho, mas só agora suas consequências estão mais evidentes, com chuvas acima do normal nas regiões Sudeste, Nordeste, parte da região Centro-Sul e parte da região Norte do país. Já na região Sul, a previsão é de chuvas abaixo do normal com altas temperaturas neste final de primavera, clima que deverá se estender por todo o verão, disse Nascimento.
Conforme as previsões do INMET, sob a influência do ‘‘La Ni¤a’’ as frentes
frias deverão passar rapidamente, ocasionando chuvas rápidas e abaixo da média registrada no período. Nascimento prevê a continuidade da estiagem porque as temperaturas se manterão elevadas e a umidade relativa do ar vai permanecer baixa, característica de período extremamente seco.
Segundo o meteorologista, a região Norte do Paraná poderá ser beneficiada com um regime de chuvas favorável à agricultura, já que os efeitos perversos do ‘‘ La Ni¤a’’ estão previstos essencialmente para os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná.

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