O sistema cooperativista brasileiro, que abrange 4.616 cooperativas e quase quatro milhões de cooperados e é responsável por cerca de 150 mil empregos, estará discutindo esta semana, durante o 11º Congresso Brasileiro de Cooperativismo, os novos desafios com a globalização da economia. As cooperativas têm muitas críticas e sugestões a fazer. O congresso será aberto amanhã, com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, quando também será inaugurada a exposição de produtos e serviços das cooperativas brasileiras.
Para quarta-feira estão marcadas conferências sobre temas como a ‘‘globalização da economia’’, pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan; os ‘‘novos rumos do cooperativismo’’, pelo presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues, e ‘‘nova geração de cooperativas’’, por Michael Cook, da Universidade de Missouri (EUA), entre outros.
O assessor em capacitação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Helmut Egewart, disse que o último congresso do cooperativismo foi realizado há nove anos e que, durante este período, alguns segmentos cresceram muito, como o de cooperativas de trabalho, educação e crédito. Ele destacou os debates sobre as mudanças na legislação do sistema e a representação política do cooperativismo brasileiro como os mais polêmicos que deverão ocorrer no Congresso.
Agribusiness O maior número de cooperativas brasileiras está no segmento agropecuário. São mais de 900 mil cooperados reunidos em 1.410 cooperativas, que empregam 113 mil funcionários. O valor total da comercialização das cooperativas agropecuárias atinge R$ 16 bilhões por ano, com uma participação de 62% das vendas da produção brasileira de trigo, 44% de cevada, 39% de algodão, 28% de café, 29% de soja, 16% de milho e 31% de suínos, entre outros. Nas exportações agropecuárias, as cooperativas respondem por 11% das vendas de café, 37% de soja e 38% de açúcar de cana.
Em reunião preparatória das cooperativas agropecuárias, realizada em Brasília há cerca de 15 dias, o presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues, disse que o primeiro problema das cooperativas frente à globalização é a sua própria doutrina, que tem ênfase no equilíbrio entre o econômico e social. ‘‘As cooperativas não podem ficar fora da realidade mundial da busca pela eficiência máxima, redução de custos e preços, qualidade e produtividade’’, avaliou Roberto Rodrigues, acrescentando que, para sobreviver e cumprir seu objetivo, as cooperativas terão que demitir os maus cooperados e tratar diferentemente os associados em função do seu tamanho, eficiência individual e da reciprocidade que dão à cooperativa.
O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Dejandir Dalpasquale, acredita que os dados atuais sobre exportação de produtos agrícolas demonstram que as cooperativas poderão ampliar seu desempenho na economia globalizada, com a conquista de novos mercados.
Ele avalia que os produtos típicos de pequena e da média produção, como aves e suínos, em que a cooperativa pode representar a materialização de ganhos de escala em processamento e comercialização, tendem a ganhar espaço no contexto internacional. Além disso, ressalta, a OCB tem promovido alianças estratégicas com cooperativas de países com afinidades geográficas ou de língua, com o objetivo de ampliar a participação brasileira no mercado internacional.

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