Cooperativas querem ocupar espaço do BB
Vânia Casado
De Curitiba
As cooperativas de crédito estão dispostas a assumir o lugar do Banco do Brasil na concessão de crédito rural. Para isso, o governo federal tem que eliminar as amarras e a burocracia que impedem as cooperativas de crédito de atuar como uma instituição financeira na captação de recursos e formação de poupança rural e outros instrumentos de investimentos, afirma João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Coopertivas do Paraná (Ocepar).
Koslovski se pronunciou em função das sugestões de alterações no sistema de crédito rural que estão sendo enviadas ao Ministério da Fazenda. Atualmente o sistema de crédito rural no país é operado pelas agências do Banco do Brasil.
Apesar da meta do sistema cooperativista em atuar no crédito rural, o presidente da Ocepar defendeu a atuação do BB e disse que a atividade do banco no meio rural não pode ser alterada, antes do governo injetar recursos no sistema cooperativista para consolidar as cooperativas de crédito.
Meneguette defende BB Já o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, defende a atuação do Banco do Brasil na concessão de crédito rural de forma incondicional, afirmando que esse é o papel do governo. Meneguette criticou as propostas apresentadas ao Ministério da Fazenda de acabar com as operações de crédito rural pelo BB e o fechamento das agências deficitárias. Para ele, se é para financiar somente o comércio e a indústria então que privatize de vez, porque os bancos comerciais já exercem esse papel, enfatiza.
Meneguette disse que não tem nada contra as cooperativas de crédito, mas defendeu a manutenção do sistema BB. A agricultura precisa ser coberta por um banco oficial porque é uma atividade sujeita a um grande risco, que é o clima.
O presidente da Ocepar lembrou que esse ano, as cooperativas de crédito já conseguiram atuar no crédito rural porque conseguiram a equalização de R$ 300 milhões que permitiu a concessão de financiamento nas mesmas taxas do crédito rural do BB.
Mas isso é pouco e permitiu o atendimento apenas dos pequenos produtores, disse. Para Koslovski, as cooperativas de crédito estão preparadas para atender os grandes produtores também, mas precisam de instrumentos comuns às grandes instituições financeiras que permitam a capitalização.
A capitalização das cooperativas de crédito foi pleiteada no Fórum Nacional da Agricultura. Koslovski estima que elas precisam de um aporte de recursos inicial de R$ 15 milhões até consolidar o sistema. Depois disso, o governo deve sair, deixando-as sozinhas no mercado, defendeu.





