Cooperativas querem assumir a Batávia
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Garantir com que a Batávia não paralise sua produção, independente dos desdobramentos da crise da Parmalat, e assegurar que os produtores que fornecem leite à multinacional recebam pelo produto foram duas preocupações levantadas, ontem de manhã, durante audiência pública realizada na Assembléia Legislativa pela Comissão Especial instalada pela Câmara dos Deputados para apurar as consequências do pedido de concordata no Brasil da empresa italiana.
Até sexta-feira, a comissão realiza audiências semelhantes em outros dez estados onde a multinacional está presente. Também estão marcadas sete audiências públicas em Brasília. ''Com isso, em duas ou três semanas estaremos apresentando alternativas para solucionar os problemas gerados'', afirmou o deputado federal do Paraná, Assis Miguel do Couto (PT), relator da comissão.
''No Paraná, a situação não é tão grave como em outros estados, onde os produtores não têm outras empresas a quem vender o leite'', disse o deputado federal do Paraná Cesar Silvestri (PPS), integrante da comisão. A Parmalat detém, no Estado, 51% das ações da Batávia, indústria de lacticínios localizada em Carambeí (20 km ao norte de Ponta Grossa). Outros 46% das ações pertencem às cooperativas paranaenses Capal, de Arapoti, Batavo e Castrolanda, de Castro, e 3% à cooperativa Agromilk, de Santa Catarina.
Silvestri apresentou duas propostas para resolver a situação no Paraná. Uma prevê que o governo federal desaproprie as ações da Parmalat na Batávia, e que assuma o controle da empresa. A outra opção seria o governo fazer uma intervenção na empresa, hipótese que ele mesmo acredita que pode ser contestada judicialmente.
Prevalece a idéia das três cooperativas paranaenses assumirem o controle da empresa. ''É o momento das cooperativas se organizarem e dominarem o mercado, e o governo tem que participar com uma linha de crédito com juros acessíveis'', defendeu o tesoureiro da Fetaep, Jairo Correa de Almeida.
O governo do Estado também já ofereceu linhas de crédito especiais para as cooperativas retomar a Batávia.
Ronei Volpi, da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), apresentou ainda duas reivindicações para o setor leiteiro: melhor administração pelo governo federal para a definição de preço mínimo do produto e controle de estoques e criação de uma lei anti-truste que impeça que as grandes redes de supermercados imponham seus preços aos fornecedores.


