Vânia Casado
As cooperativas pretendem utilizar os recursos do Planto de Revigoramento das Cooperativas (Recoop) para alongar suas dívidas e concentrar esforços em projetos industriais que aumentem a produção em escala. A Clac, por exemplo, está apostando no programa de revitalização das para transformar débitos com prazo máximo de 4 anos, que são as cotas-partes dos associados, em até 15 anos. A Cocamar que já tem um plano de refinanciamento de sua dívida, estimada em R$ 180 milhões junto aos bancos, poderá recorrer ao Recoop para alongar o prazo de pagamento dos débitos e com isso ganhar fôlego para grandes investimentos.
A Clac vinha enfrentando dificuldades na renegociação dos débitos de curto prazo e juros altos em função de altos investimentos na fusão da cooperativa com a Witmarsum, para criação da Centralpar. Foram investidos R$ 14,2 milhões, sendo que R$ 8 milhões foram em recursos próprios das cooperativas participantes do processo de fusão e o restante financiado. Nesse empreendimento a Clac está participando com 40%, a Witmarsum, de Palmeira, com 40%, a Coamig de Guarapuava, com 20% e a Cooperativa Agrária de Entre Rios, com mais 20%. Ocorre que sobre esses débitos estão incidindo o pagamento de juros altos, explicou Thiensen.
A Clac assumiu compromissos para a criação da Centralpar no valor de R$ 3,2 milhões, sendo R$ 1,7 milhão em recursos próprios e mais R$ 1,5 milhão financiados por recursos com cotas-partes dos seus cooperados (numa empresa S/A equivale a ações). A cooperativa retém 3% sobre a produção entregue para a integralização de capital. A cooperativa apostava no leite longa vida como carro-chefe da Central. Mas as importações subsidiadas de leite e derivados derrubaram os preços do produto e as cooperativas estão comercializando o longa vida com prejuízos. A expectativa da Centralpar era comercializar o leite longa vida por R$ 0,60 a R$ 0,65 o litro. E agora está entregando o produto por R$ 0,47/itro.
Com o Recoop, esse problema poderá ser solucionado porque as cooperativas vão alongar o perfil da dívida, com juros mais reduzidos, permitindo um fôlego para investimentos em áreas mais rentáveis, atendendo a filosofia do programa, justificou. Segundo Thiensen a Centralpar está pensando em explorar o mercado de sobremesas lácteas para maximizar a rentabilidade. Também os cooperados que estão com pendências junto às cooperativas serão beneficiados, porque o benefício do alongamento da dívida será transferido, afirmou Thiensen.
Os investimentos feitos para criação da Centralpar com a modernização da planta industrial foram feitos com a projeção que previa expansão para o mercado de laticínios.
A Cocamar já havia se antecipado às regras impostas pelo Recoop para equacionar seus débitos. O quadro de funcionários foi reduzido de 3.500 funcionários para 2.000 no período de 2 anos e os débitos com os bancos foram convertidos em capital. Com a renegociação os bancos credores se tornaram acionistas de uma empresa (S/A) criada para aumentar a capacidade de esmagamento de grãos. A empresa criada fatura US$ 300 milhões por ano e opera com esmagamento de soja, de caroço de algodão, de cana-de-açúcar e fiação de algodão e de seda.
Com o Recoop a Cocamar fica numa situação mais vantajosa porque passa a contar com duas opções para renegociar seu débito e alavancar recursos para modernização da planta industrial, como prevê o programa. Segundo Luiz Lourenço, presidente da Cocamar a cooperativa vai decidir se prossegue com o seu entendimento com os bancos ou recorre ao Recoop, que permite o alongamento do perfil da dívida e juros mais flexíveis. Ou então poderá aliar as duas alternativas, complementou.

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