Cooperativas populares são opção contra desemprego
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Certamente R$ 200 não são capital suficiente para abrir um negócio. Mas com a união de 30 pessoas, cada uma investindo R$ 200, o objetivo já pode começar a se concretizar. Afinal, com estes R$ 6 mil já se pode financiar uma máquina, comprar um pouco de matéria-prima e começar o trabalho. Os valores são hipotéticos. Mas a história narra como começam muitas cooperativas, principalmente as populares. Muitas pessoas estão vendo na união uma forma de driblar as dificuldades de entrar no mercado de trabalho.
Números do cooperativismo paranaense mostram que esta é uma iniciativa que tem boas chances de dar certo. Dados do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) dão conta que, até 2005, o Estado tinha 228 cooperativas com 403 mil associados. Sozinhas elas faturaram R$ 16,5 bilhões no ano passado, valor, segundo a Ocepar, semelhante a 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado estimado de 2005 (R$ 100 bilhões).
''Com a constituição de cooperativas é possível ganhar escala no mercado. Individualmente o produtor não tem estrutura e não tem escala, ou seja, tem dificuldade de operacionalizar. Juntos os produtores têm condições de fornecer com volume e de barganhar preço'', resumiu o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra. E, segundo Turra, as cooperativas populares têm mais ainda esse apelo ''porque são pequenas e não têm grande poder aquisitivo.''
O técnico da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Valter Antonio Maier, lembra que além da união o incentivo e a capacitação são fundamentais. ''As cooperativas precisam de apoio administrativo e ajuda para buscar parceiros e para viabilizar projetos'', explicou. Maier cita o apoio do poder público como parte importante. ''As prefeituras têm que vestir a camisa. E os grandes centros tinham que abrir mais espaço para as feiras de economia solidária'', argumentou.
O trabalho voluntário também faz parte do desenvolvimento das pequenas cooperativas. ''Eu mostrei para eles que era possível usar a matéria-prima toda da floresta e também a técnica. Eles evoluíram muito rápido'', contou Marina Ribas Lupion, mestre em tecnologia pela Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTP) com ênfase em fibra natural. Marina faz trabalho voluntário de capacitação com a comunidade Castelhanos em parceria com a prefeitura de São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) e com o Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios, Ong ligada à Fiep.


