Curitiba - Em Carambeí, corre uma forte especulação de que as cooperativas de produção que fornecem leite para a Batávia estão negociando a retomada do controle acionário da indústria, vendida para a Parmalat em abril de 1998. As cooperativas Batavo (Carambeí), Castrolanda (Castro) e Capal (Arapoti) começaram a cogitar a operação desde que o secretário de Estado da Indústria e Comércio, Luis Mussi, esteve na região.
As cooperativas formam um pool de fornecimento de leite, responsável pela entrega de aproximadamente 5 milhões de litros de leite por mês à Batávia. Até agora não houve inadimplência porque a Batávia tem pago as faturas às cooperativas e elas vêm ressarcindo os produtores, informou Paulo Marchesini, gerente financeiro da cooperativa Batavo. Ele não informou o valor da fatura.
Marchesini não negou a negociação com a Parmalat, mas disse que até agora não existe nada de concreto. Ele também não acredita que vai haver durante o mês de janeiro. ''Talvez para fevereiro podemos ter novidades'', adiantou.
A Batávia é a antiga Central Cooperativa de Laticínios do Paraná (CCLP), controlada pelas cooperativas Batavo, Castrolando e Capal, de Arapoti, conhecidas como cooperativas do ABC. Elas foram fundadas por imigrantes holandeses de Carambeí e Castro há cerca de 50 anos. Na região, funciona a bacia leiteira de maior qualidade do País.
Em 1998 a Parmalat comprou 51% das ações da indústria, assumindo o controle acionário e 49% permaneceram nas mãos dos holandeses. A retomada da maioria das ações por parte das cooperativas abre a oportunidade delas retomarem o processo de industrialização, que garante maior agregação de valor ao produto e consequentemente maior retorno financeiro aos produtores. Consta que na cláusula assinada em contrato feito com a Parmalat, durante a compra da Batávia as cooperativas não poderiam industrializar o leite que produzem mesmo que seja com outra marca comercial.

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